Como acabar com a cracolândia

Quem quer acabar com a cracolândia



Alguém já deve ter escutado o ditado que diz: "O mundo é perfeito, os seres humanos é que são complicados...". Bom, conforme o tempo passa, eu pessoalmente acredito cada vez mais nessa máxima.
O mundo, na verdade, anda complicado. Uma coisa que aprendi na vida, é que quando se trata de algo que envolve pessoas diferentes entre si, seja uma empresa, uma associação, etc, se nós colocarmos nossas "personalidades" acima dos "princípios", problemas com certeza vão acontecer. Então, hoje vivemos em um mundo polarizado, como algumas pessoas chamam, ou seja, pontos de vista opostos, opiniões opostas, e conflitantes entre si pela intolerância pessoal de cada um, e aí, entra a parte "personalidades acima de princípios". Mas, então não devemos ter uma opinião firme, ou posicionamento sobre os mais variados assuntos? Lógico que sim, a questão é não radicalizar estas opiniões, ou seja, respeitar o contraditório, respeitar os divergentes.

Eu pessoalmente tenho uma posição política, defendo esta posição com os argumentos que entendo serem coerentes, e tenho uma opção por regime econômico. Não se deve confundir regime de governo (presidencialismo, parlamentarismo, ditadura, etc), com regime econômico (basicamente socialismo, e capitalismo), apesar de que, alguns regimes de governo também o são econômicos, mas há outros distintamente separados. 

A Cracolândia
Como acabar com a cracolândia
Cracolândia antes da "remoção"
O que é a cracolândia? É de direita? De esquerda? De centro? Ou liberal? É pois capitalista, ou socialista? Pois é...nenhuma das opções. A cracolândia, também não é um "problema" por assim dizer, mas sim, um RESULTADO, uma consequência, um reflexo.


Cracolândia, terra do crack

Porque é chamado de cracolândia? Bom, não é só porque lá, neste local, tem, ou havia o "crack" a vontade, que é a droga em questão. (Veja: O que é droga?) Chamou-se de cracolândia, pois o local faz uma referência a permissividade, a liberalidade, ou seja, uma espécie de área livre para o uso desta substância, e de outras...Sem lei, sem ordem, sem condições de vida, sem alimentação regular, sem assistência, sem nada. Sob este ponto de vista, o Brasil então, ou algumas áreas do Brasil, poderia ser chamado de uma grande cracolândia, não? Lógico, o único detalhe é que naquela cracolândia de São Paulo, e em outras similares por capitais do país, a CONCENTRAÇÃO é destacada. 

No caso da CRACOLÂNDIA BRASIL, tudo fica mais "espalhado"...A CRACOLÂNDIA BRASIL, é o resultado de, ou igual a: falta de emprego, falta de qualificação, estrutura em saúde e saneamento, segurança, falta de moradias, falta de investimento, falta de opções.

A CRACOLÂNDIA SÃO PAULO, é o resultado de: 

1 - Uma droga muito "eficaz" no que tange a destruição do ser humano;
2 - Negligenciamento público quanto a estruturação de locais adequados para tratamento de dependentes químicos;
3 - E os pontos restantes são inerentes à CRACOLÂNDIA BRASIL.

Nas redes sociais, pode-se acompanhar os mais diversos pontos de vista:


  • Existem os defensores da cracolândia (acredite, existem e não são usuários...);
  • Existem aqueles que simplesmente opinam em "matar" todos e ponto;
  • Outros dão soluções religiosas, médicas, ou policiais;
  • Outros realmente gostariam de fazer algo, mas não sabem o que fazer.

A realidade é que, essa situação, e outras iguais no país e no mundo até, não se resolvem do dia pra noite, elas são um "RESULTADO", não um acontecimento. E resultados vem de ações ou omissões, resultados podem ser POSITIVOS, OU NEGATIVOS, e logicamente no caso da cracolândia, são negativos.

Agora, importa menos a questão: Como chegamos nesse ponto?, do que a questão: O que faremos? Num caso desses, não importa mais, ao menos para estas pessoas que estão "presas" a essa dependência, como é que a cracolândia surgiu, mas sim, qual a solução não só para por fim a cracolândia, mas a solução para as vidas destas pessoas.

Um aparte 
Como acabar com a cracolândia
Usuário de crack
Na época da escravidão, ou melhor, na época em que o fim da escravidão ganhou espaço nos países, um questionamento era feito (e inclusive pelos próprios escravos), na sociedade daquela época: "O que faremos com nossa liberdade". Sim, pois que, um indivíduo que até ontem, era considerado por muitos um mero "animal", não um ser humano, perguntava-se quais perspectivas teria para o futuro. Emprego, casa, condições de vida, alimento, etc...E realmente, é inegável o quanto a sociedade, em boa parte uns mais outros menos, pelejou no que diz respeito ao racismo, e isso até os dias atuais.

Bom, nesse aparte, vale a mesma pergunta para os "escravos" da cracolândia: "O que eles farão com a liberdade?", ou melhor dizendo, "O que farão após serem libertados da cracolândia?". Logicamente, continuam escravos de uma doença, do vício, do crack, e sob este aspecto, qual perspectiva de vida e/ou de sobrevida? Ainda há um porém, diferentemente do aparte apresentado, a escravidão dos tempos antigos, era uma condição mais externa (imposta) do que interna. Já, a escravidão do crack, se impõe basicamente por uma escravidão interna, é essa, é mil vezes pior, nesse sentido já disse Mahatma Gandhi:


"A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência." 
Como acabar com "as cracolândias"

Então, o que fazer? Já sabemos, que acabar simplesmente com a cracolândia, não vai resolver a questão dos indivíduos que estão lá, é o primeiro passo, sim pois, o primeiro passo é a ordem, a presença de "sociedade civilizada", lei, sem isso, nada ocorre. Naquela situação, agora recente em São Paulo, em minha opinião o poder público agiu corretamente em sua postura firme, devolvendo aparentemente ao local, a presença de "sociedade civilizada", com lei, e ordem, mas, infelizmente, não tinha um plano preparado para o "The day after". Volta-se a questão: o que o "escravo" vai fazer, após "libertado" do "local de cativeiro", sim, porque em verdade, CONTINUA ESCRAVO do crack...

É complicado. Certamente, ainda mais do jeito que o nosso país anda (quebrado e corroído pela política em todos os níveis), não vai ser da noite pro dia, que a solução vai ser realizada. Planos, vontade e ideias, tem dezenas, centenas...mas o que falta é o OBJETIVO, o CONCRETO, o real e possível a FAZER. 


NÃO SE RECUPERA NINGUÉM, ainda mais um dependente de crack, com: bolsa crack, pensão paga pra morar, ou até mesmo trabalho (ainda que essencial após o processo de tratamento). Um dependente de uma droga tal qual o crack, "desaprende" a viver, perde a estrutura interna, ou seja, é impraticável querer (salvo 1 em 1 milhão) retirar o indivíduo de uma condição de rua, e total dependência de uma droga, e querer imediatamente REINSERI-LO na sociedade. É um absurdo, porque não dizer, uma perca de tempo. Esse cidadão, deve passar obrigatoriamente por um TRATAMENTO, quer seja, internação, ou ambulatorial, e na maioria dos casos em se tratando de crack, ambulatorial não surte efeito. A pessoa deve ser "afastada" do meio social comum, para REAPRENDER hábitos, receber assistência médica, psicológica, e ter conhecimento de um tratamento psicoterapêutico que vá nortear sua vida no pós internação, além de, acima de tudo, buscar a Deus. Com a devida licença a ateus e etc, a crença em um Poder Superior (da forma e maneira como a pessoa concebe, seja evangélico, católico, luterano, etc) e o auxílio Deste, é FUNDAMENTAL na recuperação, logicamente na vida de cada um de nós, mas daí vai da crença pessoal de cada indivíduo. E porque? A Dependência Química é uma doença, com características: sociais(comportamentos), físicas(tolerância), psicológicas(compulsão e dependência) e espirituais. A questão do lado espiritual da doença DQ, é de que entre outras coisas, somente algo MAIOR que nós mesmos, ou que o próprio dependente, pode suprir, e substituir, e ajudar, e devolver a SANIDADE à ele, pois que, se sugere que seja um Deus, ONIPOTENTE, AMOROSO, E MISERICORDIOSO.
(Veja: Tratamento para DQ, Biologia da Toxicodependencia)
Muito importante, agora sob o aspecto do usuário, é que: é necessário QUERER..não há recuperação possível e eficaz, se a pessoa não quer. Em estando disponíveis os meios, sejam eles quais forem e de que tipo forem, de nada vão adiantar se o indivíduo não quiser.

Discordo que, a internação compulsória, se devidamente organizada, e supervisionada, não seja indicada. Não sou médico, mas ver um médico dizer simplesmente que não deve se internar a força um dependente grave de crack, por questões vazias, e sem sentido, embrulha o estômago. 

Veja, é uma condição quase que essencial, que o indivíduo queira se recuperar. Mas, por outro lado, quando e se, a pessoa chega em um extremo de um condição tal, que não tem mais capacidade de se auto-governar, vivendo exclusivamente para a droga, nesse caso, ainda que a pessoa não queira, é válido a internação "forçada". É uma OPORTUNIDADE, e existe a possibilidade, que mesmo de maneira forçosa, o indivíduo possa desenvolver a vontade pela recuperação. Porque senão, qual a outra opção? Se não vejamos, se a pessoa não quer: Tratar-se, trabalhar, não quer ajuda, então ok, fica nas ruas por conta, mas então formam-se aí, as cracolândias da vida, em São Paulo, no Rio, em Porto Alegre, e por aí vai. E aí? Ficam ali, sustentando parasitas humanos (traficantes) por intermédio de furtos, roubos, e mortes? Qual a opção, criar guetos? Lógico que não.


Nesse sentido então, o país, o nosso país demanda de logicamente o básico para todos os cidadãos, veja, se pessoas que não tem nenhuma dependência, que vivem e trabalham etc, já não tem a estrutura adequada por parte do governo, sejam, escolas de qualidade e inteiras, hospitais públicos, programas de financiamento a moradias(honestos e que funcionem), rede social, rede viária, estrutura de segurança, etc, ainda mais nessa situação, os dependentes de drogas. Ou devem ser construídos centros de recuperação, ou e acredito ser o melhor, aumentar recursos para Comunidades Terapêuticas e Clínicas de Reabilitação. Porque é melhor a segunda opção? Porque no Brasil, já é tradição o governo "não funcionar direito", tudo fica bonito somente no papel, então, terceirizar estas ações, seria mais barato, e teria um serviço de melhor qualidade. Ao governo, caberia simplesmente fiscalizar, só.


Como acabar com a cracolândia
Traficante na cracolândia
O fim da cracolândia em São Paulo, é ótimo, excelente, e necessário...mas faltou um planejamento anterior, e isso não é somente responsabilidade deste governo que lá está, e sim, de todos os governos anteriores, pois a bem da verdade, existem governos, que tem sim é interesse que a cracolândia continue, a cracolândia é "boa" para eles no sentido em que: cria certo caos, cria dependência do governo, desvia a atenção.Essa é a mais pura verdade. Afora é claro, que a "estrutura" definida como cracolândia, é também do interesse e dirigida por criminosos do tráfico, que tem nos usuários, verdadeiros soldados que vão defender "esse território", por apenas uma pedra, matarão em alguns casos, se preciso for.

Não é humanamente possível admitir, que seja aceitável uma situação destas. Não há justificativa. A "força" policial é totalmente justificada porque existia, nesse caso, uma situação de crime, de direito das pessoas circunvizinhas ao local, de segurança, e de saúde pública, então, lógico que os usuários vão "resistir", pois estão apoiados pelos traficantes do local, dessa maneira, não há outro meio senão a intervenção pelo uso da força necessária, para desimpedir a rua, prender os criminosos, e promover a ordem.

Sabemos que, o "problema" é bem maior, o "buraco é bem mais em baixo". O Brasil, de norte a sul, sofre com suas "cracolândias" espalhadas por todas as cidades, dizimando vidas, famílias, e recursos sociais. O país sofre com a miséria humana da corrupção, da indecência humana governamental, milhões de desempregados, ingerências de toda sorte em todos os níveis (hospitais, escolas, habitação, etc), o país, parece que nunca vai "funcionar" de verdade. 

Legalizar, não é solução, como no caso da maconha. Drogas, não são a solução pra nada, já chega as lícitas como o álcool, pra que aumentar este Rool? É preciso educar, informar, fazer por exemplo o meu filho saber (na idade certa e com a informação correta) que ninguém precisa de drogas para viver, para trabalhar, ou estudar, e etc, etc, etc e tal. O foco nessa informação adequada, e evitar primordialmente a experimentação, isso diminui drasticamente os riscos.


A fé em dias melhores, é que mantém muitas pessoas neste mundo, de pé e confiantes.


Mais 24Hrs

Mortes por overdose de heroína se elevam nos EUA

Heroína adulterada é a causa da crescente onda de ovedoses fatais


Mortes por overdose de heroína se elevam nos EUA
Liz Highleyman
Produzido em colaboração com hivandhepatitis.com
Publicado: 24 de Maio de 2017

Novas fontes de heroína e adulteração crescente com fentanil e outros análogos mais fortes estão contribuindo para uma crescente epidemia de mortes por overdose de opióides em várias regiões dos EUA, relataram pesquisadores na 25ª Conferência Internacional de Redução de Danos (RH17) na semana passada, em Montreal.

Nacionalmente, as overdoses relacionadas à heroína subiram 8% anualmente de 2006 a 2013, de acordo com Dan Ciccarone, da Universidade da Califórnia em San Francisco. Mas o aumento foi de até 50% em alguns estados do Appalachia e Sudeste, e de 30 a 40% nas regiões Nordeste e Atlântico.

Durante a década passada, os EUA estiveram em estado de epidemia de opiáceos, concentrados em áreas suburbanas e rurais. Em janeiro, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) relataram que as mortes por overdose de drogas, principalmente devido aos analgésicos prescritos e heroína, representaram mais de 28.000 mortes em 2014, superando as mortes por acidentes de veículos e homicídios combinados. Além das mortes por overdose, a epidemia também levou a surtos de HIV e hepatite C.

Para o estudo da heroína em transição (HIT), Ciccarone e Jay Unick, da Universidade de Maryland, analisaram dados do governo da DEA (Drug Enforcement Administration) e do National Forensic Laboratory Information System, que mostram mudanças no fornecimento de heroína, formulações e contaminação. Eles também analisaram as bases de dados de saúde para avaliar as tendências nacionais e regionais em overdoses, hospitalizações e mortes relacionadas à heroína.

As apreensões de heroína misturada com fentanyl, se elevaram em 134% de 2009 a 2014, segundo Ciccarone. Em contraste com o aumento dramático ao leste do rio Mississippi, a taxa de overdose tem sido praticamente estável na costa oeste, porque não tem visto um grande afluxo de fentanil como outras partes do país, disse ele.

Este fentanilo é geralmente produzido clandestinamente utilizando precursores da China, não desviado fentanil farmacêutico, de acordo com a DEA. As agências também estão vendo cada vez mais outros opióides sintéticos relacionados - alguns dos quais são ainda mais fortes - incluindo acetil fentanil, furanil fentanil e o tranquilizante animal carfentanil.


Normalmente, os usuários de drogas pretendem comprar heroína e, sem saber, obter produtos misturados com fentanil, disse Ciccarone. Porque o fentanil é muito mais forte do que a heroína pura - cerca de 30 a 40% mais forte em peso - e as pessoas injetando o que pensam que é a sua dose habitual ficam em risco de uma overdose fatal. Outro estudo apresentado na conferência mostrou que cerca de 80% das amostras de drogas testadas num local de uso supervisionado em Vancouver, continham fentanil.

Estudos de "assinatura" de drogas revelaram que o México deslocou a Colômbia como a principal fonte de heroína que flui para estados no Centro-Oeste, na Nova Inglaterra e no Sudeste. A heroína sólida negra ou marrom do México tem sido comum na Costa Oeste, mas a nova heroína mexicana é um pó de cor clara similar ao produto colombiano que predominou no leste. Além disso, uma proporção crescente de heroína apreendida vem de fontes desconhecidas, disse Ciccarone.

A nova heroína de origem mexicana, novas formulações com provável adulteração eo aumento de fentanil e outros análogos de heroína mais fortes "tornam o uso da heroína mais imprevisível e mortal do que nunca", concluíram os pesquisadores.

Ciccarone argumentou que a epidemia de opióides deve ser menos tratada como uma epidemia de drogas e mais como uma epidemia de envenenamento, garantindo uma vigilância mais proativa e testes de drogas em si - não apenas as pessoas que usam drogas. Ele também pediu uma resposta mais rápida à overdose, tornando naloxona amplamente disponível para as pessoas que usam drogas e seus entes queridos, mais serviços de redução de danos e mais baseado em evidências tratamento para dependência de drogas.

"Se opióides sintéticos estão se tornando a nova norma em termos de distribuição e consumo, então a verificação de drogas e locais de injeção supervisionados também devem se tornar as novas normas de saúde pública", disse Rick Lines, diretor executivo da Harm Reduction International.

"Assim como a crise da Aids produziu inovação em estratégias de saúde pública, como preservativos e troca de seringas estéreis, também a crise de opiáceos que estamos vivenciando atualmente tem o potencial de ser uma mudança de jogo", concluiu Ciccarone. "Esta é uma epidemia de proporções de crise, mas como o HIV é uma crise de oportunidades, o HIV caiu dramaticamente por causa do tratamento e prevenção e ativismo, e a mesma coisa vai virar a epidemia de overdose de drogas nos Estados Unidos".


Referência
Ciccarone D et al. US heroína em transição: mudanças na oferta, adulteração e conseqüências. 25ª Conferência Internacional de Redução de Danos, Montréal, resumo 1403, 2017.

Fonte - aidsmap.com

STJ - Lei de Drogas é discutida

Lei de Drogas é discutida em seminário com a participação de várias autoridades 

Lei de Drogas é discutida em seminário com a participação de várias autoridades
“Quase 30% do total de habeas corpus e recursos em habeas corpus recebidos no Superior Tribunal de Justiça referem-se ao tráfico de drogas”, afirmou a ministra Laurita Vaz, presidente do STJ, na abertura do seminário: 10 anos da Lei de Drogas – resultados e perspectivas em uma visão multidisciplinar, que ocorre na sede do tribunal, em Brasília, nesta terça e quarta-feira. 


O evento, promovido pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) em parceria com o STJ e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), tem a coordenação científica do ministro do STJ Rogerio Schietti Cruz.
O objetivo é discutir a questão das drogas no contexto nacional, de forma interdisciplinar, estimulando reflexões sobre o panorama vivenciado no Brasil após dez anos de vigência da Lei 11.343/06. Para a presidente do STJ, já se pode fazer uma boa análise da aplicação e eficiência da Lei de Drogas, notadamente considerando as interpretações restritivas oriundas do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre ela. “O tráfico e o uso de drogas ilícitas são males que têm afligido nossa sociedade de forma crescente nos últimos anos e trazem, por arrasto, outros tantos problemas. Ao meu sentir, é preciso pensar o problema de forma mais ampla, buscando identificar sua verdadeira origem, e trabalhar na prevenção, que é melhor do que remediar o malfeito”, afirmou a ministra Laurita Vaz. 

Reflexões oportunas 

A advogada-geral da União, Grace Mendonça, assinalou que reflexões sobre a Lei de Drogas são permanentemente oportunas na agenda da sociedade brasileira, uma vez que um terço da população encarcerada deve suas condenações à aplicação da Lei 11.343/06 e que 75% dos jovens infratores de hoje são usuários de drogas (dados do Conselho Nacional de Justiça). “Esse tema exige uma abordagem multidisciplinar, porque envolve a atuação qualificada de diversos profissionais, não somente juristas, como também profissionais da área de saúde, da ciência política e da sociologia”, avaliou Grace Mendonça. 

Também participando da abertura do seminário, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, destacou que o enfrentamento ao uso e tráfico de drogas é uma questão dinâmica, sempre em movimento, e que é preciso estar sempre discutindo os efeitos das atitudes tomadas e dos resultados obtidos nesse campo. Janot provocou o público e os palestrantes presentes com questões referentes à prevenção e à reinserção previstas na lei e que, segundo o procurador-geral, são muito ruins; distinção entre usuário (questão de saúde pública) e traficante (questão de política criminal); e o reflexo da política criminal de combate às drogas no sistema penitenciário brasileiro. 

Participaram da abertura do seminário a diretora-geral da Enfam, ministra Maria Thereza de Assis Moura, o coordenador científico do evento, ministro Rogerio Schietti Cruz, o ministro aposentado do STF Ayres Britto, o vice-presidente da 4ª Região da Ajufe, juiz federal Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro Alves, e o secretário nacional de Políticas Públicas sobre Drogas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Humberto de Azevedo Viana Filho. Também compareceram à abertura o vice-presidente do STJ, ministro Humberto Martins e os ministros Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior e Antonio Saldanha Palheiro.

Fonte - STJ

Pesquisa americana revela aumento do uso ilícito de maconha em estados onde a maconha foi legalizada

Aumento de uso ilícito em estados onde a maconha foi legalizada


Estados Unidos
Uma análise dos dados de inquéritos nacionais indica que as leis que legalizam o consumo de maconha medicinal estão associadas a aumentos no consumo ilícito de cannabis e nos distúrbios do consumo de cannabis entre os adultos. A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas (NIDA) eo Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA), ambos parte dos Institutos Nacionais de Saúde.

Pesquisa americana revela aumento do uso ilícito de maconha em estados onde a maconha foi legalizada

Comparando tendências globais em estados com leis de maconha medicinal para estados sem essas leis, os autores examinaram dados de três pesquisas apoiadas pelo NIAAA realizadas em 1991-1992, 2001-2002 e 2012-2013. Além disso, a definição de desordem de uso de cannabis foi baseada na definição do DSM-IV de abuso de cannabis ou dependência nos últimos 12 meses. Os autores estimam que um adicional de 1,1 milhões de adultos usuários de cannabis ilícitos e um adicional de 500.000 adultos com um transtorno de cannabis DSM-IV pode ser atribuível a passagem de lei de maconha medicinal. No entanto, os investigadores também nota que poderia haver outros fatores contribuintes.

Esses achados enfatizam a importância de examinar como as leis mais permissivas sobre a maconha estadual podem aumentar o risco de consequências para a saúde relacionadas à cannabis. Um comentário acompanhante sobre o artigo por NIDA cientistas destaca os potenciais efeitos negativos da cannabis sobre a saúde mental.

Tradução Mais 24Hrs

Artigo original 

Fonte - NIDA

Nos dias de hoje

Nos dias de hoje 

Relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) calcula que cerca de 5% da população adulta, ou 250 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos, usou pelo menos algum tipo de droga em 2014. Transtornos relacionados ao consumo registraram crescimento preocupante.
Cerca de 5% da população adulta, ou 250 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos, usou pelo menos uma droga em 2014, de acordo com o último Relatório Mundial sobre Drogas divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
Embora substancial, esse número não sofreu elevação, ao longo dos últimos quatro anos, na mesma proporção da população mundial. O relatório, contudo, sugere que o número de pessoas que apresentam transtornos relacionados ao consumo de drogas aumentou desproporcionalmente pela primeira vez em seis anos.
A publicação do Relatório Mundial sobre Drogas acontece em um momento marcante, após uma Sessão Especial da Assembléia Geral da ONU sobre o problema mundial das drogas e a primeira após a adoção dos novos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.
Neste ano, a Assembléia Geral da ONU adotou um conjunto abrangente de recomendações para lidar com a questão das drogas. Este relatório resultou em uma série de recomendações operacionais concretas. Coletivamente, esse olhar promove políticas e programas de controle de drogas sustentáveis, equilibradas e orientadas para o desenvolvimento.
Como observa o diretor-executivo do UNODC, Yury Fedotov, é fundamental que a comunidade internacional se una para garantir que os compromissos assumidos na Sessão Especial da Assembleia Geral sejam atingidos — e o Relatório Mundial sobre Drogas oferece uma ferramenta importante para ajudar nessa tarefa.
“Ao fornecer uma visão abrangente dos principais desenvolvimentos nos mercados de drogas, rotas de tráfico e o impacto do uso de drogas na saúde, o Relatório Mundial sobre Drogas de 2016 realça o suporte às abordagens abrangentes, balanceadas e baseadas nos direitos, como refletido no documento final preparado pela Sessão Especial da Assembleia Geral.”

Uso de drogas e suas consequências para a saúde

De acordo com os dados apresentados no relatório, uma a cada 20 pessoas entre 15 e 64 anos fez uso de pelo menos algum tipo de droga no mundo em 2014. Embora substancial, esse número não sofreu elevação ao longo dos últimos quatro anos, na mesma proporção da população mundial.
O relatório, contudo, sugere que o número de pessoas que apresentam transtornos relacionados ao consumo de drogas aumentou desproporcionalmente pela primeira vez em seis anos. Existem hoje mais de 29 milhões de pessoas dentro dessa categoria — em comparação aos 27 milhões divulgados anteriormente.
Além disso, cerca de 12 milhões de pessoas usam drogas injetáveis e 14% destes vivem com HIV. Esses dados revelam que o impacto do uso de drogas na saúde continua preocupante.
Enquanto a mortalidade relacionada ao uso de drogas manteve-se estável em todo o mundo, em 2014 ainda havia cerca de 207 mil mortes relatadas: um número inaceitavelmente elevado de mortes que teriam sido evitadas se intervenções adequadas fossem tomadas.
Cerca de um terço destas mortes ocorreram por overdose. A taxa de mortalidade por overdose é bem mais alta entre egressos que recentemente saíram do sistema prisional, se comparada com a população em geral.
O sistema prisional continua representando um grande desafio em relação às políticas de drogas e agravos associados ao uso de drogas. Em grande parte dos países, as prisões representam ambientes de grande vulnerabilidade para doenças infecciosas. O uso de drogas no sistema prisional continua elevado, assim como a prevalência de HIV, hepatites e tuberculose, principalmente se comparado com a população em geral. Mesmo com esses dados alarmantes, serviços de prevenção e tratamento continuam escassos e de difícil acesso nas prisões ao redor do mundo.
O consumo de heroína — e as mortes por overdose relacionadas — parece ter aumentado drasticamente nos últimos dois anos em alguns países da América do Norte e Europa Ocidental e Central.
Fedotov observou que, embora os desafios colocados pelas novas substâncias psicoativas continuem sendo uma séria preocupação, “a heroína permanece como a droga que mata mais pessoas e esse ressurgimento deve ser abordado com urgência”.
No geral, os opióides continuam a apresentar os maiores riscos de danos à saúde entre as principais drogas.
A maconha, por sua vez, continua a ser a droga mais usada ao redor do mundo. Dados de 2014 mostram que cerca de 183 milhões de pessoas fizeram uso da droga nesse ano, enquanto anfetaminas ocupam o segundo lugar.
Os efeitos de opioides e o aumento do uso de heroína, entretanto, mostram que essas duas drogas continuam preocupantes para os serviços de saúde. Ao se analisar as tendências ao longo de vários anos, o relatório mostra que, com a mudança das normas sociais no tocante à cannabis — predominantemente no Ocidente — ,seu consumo subiu em paralelo à maior aceitabilidade em relação à droga. Em muitas regiões, mais pessoas iniciaram tratamentos para transtornos relacionados ao uso de cannabis, ao longo da última década.
O acesso a serviços de tratamento, com base em evidência, representa outro grande desafio apontado pelo relatório, pois somente uma em cada seis pessoas que necessitam de atendimento tem acesso aos serviços. O relatório também destaca a associação entre o uso de drogas e uma maior vulnerabilidade às doenças sexualmente transmissíveis. Por exemplo, a ligação entre o uso de estimulantes —entre eles, as novas substâncias psicoativas que não estão sob controle internacional — por via injetável e não injetável e sexo desprotegido, o que pode resultar em uma maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV.
Estima-se que 29 milhões de pessoas que fazem uso de drogas sofram de algum transtorno relacionado a esse uso. Entre elas, 12 milhões usam drogas injetáveis. Destas, 1,6 milhão vivem com HIV e 6 milhões vivem com hepatite C. Esses dados revelam que o impacto do uso de drogas na saúde continua preocupante.
Na América do Sul, é importante destacar que, após um período de estabilidade em relação ao uso da cocaína, desde 2010 houve um aumento no uso droga. O consumo de anfetaminas se mostra estável. O relatório chama a atenção para o fato de que pessoas que fazem o uso de drogas, de forma regular ou ocasional, têm feito o uso de mais de um tipo de substância ao mesmo tempo, de forma combinada ou sequencial, dificultando a distinção entre os tipos de droga utilizados.
Em geral, homens são três vezes mais propensos a usar maconha, cocaína ou anfetaminas, enquanto mulheres estão mais inclinadas a fazer uso de opioides e tranquilizantes não receitados. Diferenças de gênero no uso de drogas são mais atribuídas a oportunidades sociais de uso e menos a homens ou mulheres serem mais ou menos suscetíveis ou vulneráveis ao seu uso. Apesar de mais homens usarem drogas do que mulheres, o impacto do uso é maior nas mulheres do que nos homens, porque as mulheres tendem à falta de acesso à prestação de cuidados continuados na dependência do uso de drogas.
No contexto familiar, parceiras e filhos de usuários de drogas são também mais propensos a serem vítimas de violência relacionada ao uso de droga. Ainda que muitos estudos mostrem uma maior prevalência do uso de drogas entre pessoas jovens do que em adultos, a divisão de gênero não se mostra mais tão presente.

O problema mundial de drogas e o desenvolvimento sustentável

Por ser 2016 o primeiro ano de adoção dos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o relatório foca em especial no problema mundial da droga dentro deste contexto. Ao analisar essas ligações, os ODS foram divididos em cinco grandes áreas: Desenvolvimento Social; Desenvolvimento Econômico; Sustentabilidade Ambiental; Sociedades Pacíficas, Justas e Inclusivas; e Parcerias.
O relatório destaca uma forte ligação entre pobreza e vários aspectos do problema de drogas. Na verdade, o impacto do problema do uso de drogas é corroborado por pessoas que são pobres em relação às sociedades em que vivem, como pode ser visto em termos austeros nos países mais ricos.
A forte associação entre desvantagem social e econômica e transtornos devido ao uso de drogas, pode ser vista quando se analisam diferentes aspectos da marginalização e exclusão social, como desemprego e baixo nível educacional.
O relatório também esclarece um pouco as diferentes formas em que o problema mundial de drogas resulta em diferentes manifestações de violência. Embora a intensidade da violência relacionada ao uso de droga seja maior quando associada ao tráfico e à produção, estes não produzem necessariamente violência, como ilustram os baixos níveis de homicídio em países de trânsito afetados pelas rotas de tráfico de opiáceos na Ásia.
O tráfico de drogas geralmente prospera onde a presença do Estado é fraca, onde o Estado de direito é desigualmente aplicado e onde existem oportunidades de corrupção.
O relatório analisa a influência do sistema de justiça criminal nos mercados de tráfico de drogas e medicamentos, bem como no uso de drogas e nas pessoas que usam drogas. Por exemplo, ele observa que, globalmente, 30% da população prisional é composta de prisioneiros não-condenados ou em pré-julgamento. Entre os presos condenados, 18% estão na prisão por delitos relacionados à droga.
O uso excessivo da pena de prisão por crimes relacionados às drogas de natureza menor é ineficaz na redução da reincidência e sobrecarrega os sistemas de justiça penal, impedindo-os de lidar de forma eficiente com crimes mais graves. Prestação de serviços de tratamento e cuidados baseados em evidências para os infratores consumidores de drogas, como alternativa ao encarceramento, demonstrou aumentar consideravelmente a recuperação e reduzir a reincidência.

Sobre o Relatório Mundial de Drogas 2016

O Relatório Mundial de Drogas 2016 fornece uma visão global sobre a oferta e a demanda de opioides, cocaína, cannabis, estimulantes do tipo anfetamina e novas substâncias psicoativas, bem como sobre o seu impacto na saúde. Ele também analisa as evidências científicas sobre o consumo múltiplo de drogas, sobre a demanda por tratamento por uso de cannabis e sobre outras tendências , como a legalização da cannabis para uso recreativo em algumas partes do mundo.
Além disso, as relações entre o problema mundial das drogas e todos os aspectos do desenvolvimento sustentável tendo em vista os ODS são levantados e analisados de maneira aprofundada.
Para o relatório completo e conteúdo de mídia, acesse: www.unodc.org/wdr2016
Para mais informações, por favor entre em contato: comunicacao@unodc.org
Fonte - ONU/BR

Existe recuperação ?


Muitas pessoas, quando falam sobre dependentes químicos, ou em linguajar comum, viciados, drogados, fazem esta pergunta, talvez a si mesmas, ou aos seus interlocutores.
A droga, e falamos do álcool aqui também, acompanha o homem desde os primórdios dos tempos. 

Breve história

O uso de drogas parece ser tão antigo quanto a humanidade. As primeiras referências sobre a papoula, de onde é extraído o ópio, se encontram em tábuas sumerianas, na Mesopotâmia, datando de três a quatro mil anos antes de Cristo (Werebe, 1982). Presume-se que foi a partir do território onde se situa atualmente a Turquia, a Síria, o Iraque e o Irã, que se difundiu o cultivo da papoula para o Ocidente, atingindo o Egito, onde foram descobertos papiros que relatam a larga utilização do ópio, mil e quinhentos anos antes de Cristo. 

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Na China, a papoula já era conhecida e empregada para fins medicinais desde o oitavo século. A reintrodução do ópio no país, através de Formosa, aconteceu no século XVIII. Na América do Sul, desde tempos imemoriais, o homem usa a coca. Mascando suas folhas, os índios adquiriam vigor e energia. O conquistador espanhol reconheceu rapidamente o perigo de tal hábito para os seus soldados. Por esse motivo, houve, em 1569, a proibição da mastigação das folhas de coca pelos colonizadores. 
Desde o norte da Sibéria, passando pelas bacias de Ob, Ienissei e Lena, chegando ao Tibete, Turquestão e Usbequistão, o uso do cogumelo alucinógeno Amanita Muscaria traz uma história antiga. Esse uso está intimamente ligado ao xamanismo, descrito pelos viajantes e antropólogos dos séculos XVIII e XIX. Na América Central, o peyotl é largamente usado em cerimônias religiosas. A maconha, a mais utilizada das drogas, cresce em muitos lugares e climas. Marco Polo observou seu uso nas cortes orientais entre os emires e os sultões. É muito usada no vale do Tigre e Eufrates, nas Indias, na Pérsia, no Turquestão, na Ásia Menor, no Egito e em todo o litoral africano.

A partir dessa "pincelada" histórico-geográfica, fica demonstrada a intimidade dos homens, de todas as partes do mundo, desde os tempos mais longínquos, com os mais variados tipos de drogas. De todas essas curiosidades, o que pode nos interessar nesse momento é refletir sobre o consumo de substâncias químicas que produzem alterações de consciência é sua relação com as necessidades e anseios humanos. 

 

Como nos lembra Huxley, em sua discussão sobre a história do homem com as drogas, "a necessidade é a mãe da invenção". Sendo assim, o homem primitivo explorou o universo farmacológico com perfeição espantosa. Nossos ancestrais não deixaram por descobrir quase nenhum estimulante, alucinógeno ou estupefaciente naturais. Não podemos nos esquecer de que, se a farmacologia moderna nos deu uma série de novos sintéticos, ela não fez grandes descobertas básicas no campo das drogas naturais, ela simplesmente aperfeiçoou os métodos de extração, purificação e combinação. Pelas evidências de que dispomos, podemos supor que o homem primitivo experimentou todas as raízes, galhos, folhas e flores, todas as sementes, frutos e fungos do seu ambiente. 

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Voltando a pergunta: Existe recuperação ? O detalhe, em toda esta "história", é que o uso de drogas, não é uma simples experiência casual. Em virtude da doença, chamada de Dependência Química, esta "experiência" pode com grandes chances, ser mortal, e destruidora. 

Muito antes disto, o uso de drogas, incluindo o álcool em seu uso recreativo, é consequência da incessante busca do homem pelo prazer imediato. Subterfúgio perigoso, para aliviar a dor, a frustração, o medo, a raiva, até a própria alegria. Seria correto afirmar, que o uso, a grosso modo, advém da inabilidade do indivíduo, de lidar com ele mesmo, e com as situações cotidianas. Também e/ou conjuntamente, pode advir como consequência da educação, formação, e/ou do meio ambiente em que o indivíduo vive, cresce. Mas o que é recuperação? Talvez, o que para alguns seria recuperação, para outros, seria um "estado normal". Quando falamos de recuperação aqui, trata-se em última análise, da reversão de uma situação grave, qual seja, o uso descontrolado de substâncias, e as consequências inerentes.

Transformações - "O médico e o monstro"

Mas, em que se transforma o indivíduo que faz uso de drogas ? A princípio, em nada do que ele já não era, antes de usá-las. Mas então poderíamos nos perguntar: Como? Nos deparamos com tantas brutalidades e insanidades que alguns "viciados" cometem? 

Pra início de conversa, inúmeros outros sociopatas, e psicopatas cometem crimes, sem usar drogas. A droga, é primeiramente, um agente potencializador, daquilo que temos dentro de nós mesmos. Então é um fato que, ou somos bons, ou ruins ? Também não. Somos doentes ! Ou melhor: desvios de caráter, falhas na personalidade, desvios de conduta, fraquezas, tudo isto fruto de um processo que pode acontecer ao longo de anos...onde o resultado, é um ser humano doente, com ausência de valores, dentre outras coisas, e principalmente para quem crê, ausência de Deus. Mas, e se eu não acredito em Deus? Bom, não importa, resta provado que uma das buscas do homem, é por algo superior a si mesmo, e que a espiritualidade transcende e modifica o homem, e o seu modo de pensar, ainda que esta crença esteja baseada em diferentes modelos de divindades.

Acreditar, que uns nascem bons, e outros ruins, acreditar que uns nascem com "má índole", outros não, acreditar que, caráter falho não tem cura, é absurdamente medieval, estúpido, e (novamente para aqueles que creem) totalmente contrário a Deus. Seria crer, que Deus estaria brincando em um jogo aleatório, onde hora sim hora não, ele enviasse um "santo" e um "demônio" em forma humana. 

A onisciência divina, segundo a crença cristã, prevê logicamente tudo e sabe o que cada um fará na terra, é atemporal. Eu, pessoalmente, creio ser(muito longe de mim achar o que Deus faz ou não faz) esta, exatamente uma PREVISÃO no sentido literal. Porquê? Porque se fosse o contrário, seria a história anterior, de enviar uma alma boa, outra má aleatoriamente. Todos podem portanto, mudar seu próprio "destino" pelo livre arbítrio, seja individualmente, seja por influência externa. Assim como todos são resultado de uma equação complexa que envolve valores recebidos, estruturas emocionais, fatores externos culturais, influências externas sociais e religiosas, etc, ou seja, uma espécie de "programação", e se há uma programação,então todos podem ser reprogramados, e aí reside a dificuldade, principalmente em adultos. O "grosso" da programação (que nos é relevante) humana (idioma, valores, alfabetização, habilidades sociais, habilidades emocionais, etc) acontece entre 2 e10/12 anos de idade. Resta provado que inclusive, uma criança pode aprender mais de um idioma(além do idioma pátrio) com muito mais facilidade do que um adulto.


Sendo assim, todos nós, todos os seres humanos nascem com a capacidade de fazer tanto o bem, quanto o mal. Então, diversas circunstâncias, fatores e variáveis irão influenciar, o que irá se sobressair. Veja o exemplo de uma máquina, um computador, ou smartphone, que serve a um determinado propósito, nós a programamos para realizar tal tarefa. Assim somos, desde o nascimento, "programados" por meio da família, do meio, da sociedade, somados a fatores genéticos (predisposição para doenças psicológicas e físicas até), religião ou ausência desta, da abundância material ou da penúria, enfim, um complexo conjunto que irá determinar e dar probabilidade ao resultado final daquilo que seremos quando formos adultos, entrando aí também, nossa capacidade individual de escolha. Mas tal qual uma máquina(neste aspecto), somos também passíveis de MUDANÇA, DE "REPROGRAMAÇÃO". E aí, diferentemente de uma máquina (que não sofre no processo da mudança, qual seja uma consequência, a dor), nós sofremos por meio da possível "dor" interior, esta mudança, porque estas mudanças a que nos referimos, não são mudanças do tipo: mudar o horário de acordar(e isso pra alguns já não é fácil), mudar de marca de creme dental, etc. São as mudanças de atitudes e posturas enraizadas em nosso ser, convicções e crenças que possam neste ponto, estar nos prejudicando, mas deixá-los nos seria e é penoso, dada a "profundidade" em que estes "residem" em nós. Sendo que em geral, mudamos(sob diversos aspectos) quando estamos perto do "abismo", quando chegamos ao limite, quando um "choque" nos proporciona abrir os olhos. A história da humanidade nos mostra isto.

Pensando assim, os genes herdados se apresentam como possibilidades variáveis de desenvolvimento em contacto com o meio e não como certeza inexorável de desenvolvimento. Sensatamente, o ser humano não deve ser considerado nem exclusivamente ambiente, nem exclusivamente herança, antes disso, uma combinação destes dois elementos em proporções completamente insuspeitadas.

O ser humano não deve ser considerado um produto exclusivo de seu meio, tal como um aglomerado dos reflexos condicionados pela cultura que o rodeia e despido de qualquer atributo mais nobre de sentimentos e vontade própria. Não pode, tampouco, ser considerado um punhado de genes, resultando numa máquina programada a agir desta ou daquela maneira, conforme teriam agido exatamente os seus ascendentes biológicos.

Seguindo essa ideia a definição de Personalidade poderia ser esboçada da seguinte maneira:

"PERSONALIDADE É A ORGANIZAÇÃO DINÂMICA DOS TRAÇOS NO INTERIOR DO EU, FORMADOS A PARTIR DOS GENES PARTICULARES QUE HERDAMOS, DAS EXISTÊNCIAS SINGULARES QUE EXPERIMENTAMOS E DAS PERCEPÇÕES INDIVIDUAIS QUE TEMOS DO MUNDO, CAPAZES DE TORNAR CADA INDIVÍDUO ÚNICO EM SUA MANEIRA DE SER, DE SENTIR E DE DESEMPENHAR O SEU PAPEL SOCIAL". Fonte - Ballone GJ, Meneguette JP- Teoria da Personalidade - Geral, in. internet PsiqWeb, disponível em www.psiqweb,med.br, atualizado em 2008 
 
PERSONALIDADE:
é a sua identidade, em relação ao que os outros pensam ao seu respeito, mas que muitas vezes, não representa o que você é. (aquilo que você vê na outra pessoa, ou eles vêem em você).

CARÁTER:
é tudo aquilo que você é na sua intimidade e ninguém sabe, são atitudes repetidas diariamente que moldam o seu caráter.

TEMPERAMENTOS:
Temperamentos são qualidades que já nascem com o indivíduo, é genético, ou seja, é aquilo que não é aprendido.

Então, a droga não tem culpa ? 

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Sem dúvida que tem, óbvio. O usuário, não será salvo por Jesus, não será salvo por um psiquiatra, ou por uma Comunidade Terapêutica, ou por Buda, ou pelo Espiritismo, enfim. O usuário, o indivíduo que faz uso de drogas, será salvo de si mesmo, por ele mesmo. Tudo o mais citado, mesmo Jesus Cristo, nada poderá fazer (não porque ELE não quer ou não pode, mas pelo livre arbítrio que ELE nos nos deu), se não houver ao menos um "grão de areia" de motivação para sobreviver, para mudar, por parte daquele que precisa. Claro que todos estes fatores acima e muitos outros, sozinhos ou em conjunto, podem ser "fluídos", ou "indutores" que possibilitarão melhores chances do indivíduo PARAR, PENSAR POR UM INSTANTE, E TALVEZ FAZER UMA NOVA ESCOLHA, ainda que esta escolha não traga todos os resultados imediatos que quer, mas que é o Primeiro Passo, tão coincidentemente, admitir o problema, reconhecer a derrota, aceitar ajuda, querer mudar.

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MUDANÇA INTERIOR! 

Talvez um dos processos mais dolorosos pelo qual poderia passar um ser humano. Transformação, modificação. A dor neste processo, é presente, porque comportamentos, crenças, e idéias erradas, concebidas e aprendidas às vezes por anos a fio, estão "fixadas" em nosso íntimo,como que se fizesse parte de nós mesmos. Talvez, seja fácil imaginarmos a seguinte situação: Se cada ação nossa, tem uma consequência, boa ou ruim, é pela lógica ter a certeza de que, somos resultado daquilo que desejamos, e pensamos. Daquilo que "cultivamos" em nós mesmos...

A parte disso, nós seres humanos, maravilha da criação, também somos ou estamos representados também nesta velha frase: "A maldade humana, não tem limites..." E a história nos prova isto, até os dias atuais. Guerras, fome, miséria, corrupção, violência, morte...

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De sorte que também, nem todos atingem graus de insanidade absoluta no mundo das drogas, mesmo usando-as em grandes proporções...Isto, por si só, já é um alívio. Isto, é a matemática citada acima: Somos resultado daquilo que pensamos, daquilo que aprendemos ao longo da vida, o meio, o ambiente, a família, tudo contribui para este resultado, ainda que o usuário possa fazer coisas impensáveis, muitos destes talvez dificilmente irão ter ações que tragam sérias e violentas consequências. Porém, e paradoxalmente falando, o uso de drogas ainda que ausente de ações graves, por si só é um ato de extrema e brutal violência, contra a própria pessoa que faz o uso. Tal qual uma fogueira que se inicia com uma fagulha, enquanto no processo do uso, a insanidade pode se iniciar com pequenos atos, e terminar acabando com a própria vida.

Existe recuperação ? 

Esta pergunta deve ser feita em todos os sentidos: aos dependentes químicos ou "drogados", aos políticos, às famílias doentes, aos homens de guerra, aos fanáticos religiosos, aos empresários gananciosos, aos destruidores, aos senhores de armas, à sociedade de consumo, à sociedade prostituída de suas decências e virtudes....Existe recuperação dos valores ?

Sim....eu creio. Pra tudo tem um jeito...só para morte não há. Mudança, mudança, mudança. Sem ela, nada vai acontecer, sem mudança não existe recuperação. E a mudança, bem, toda a mudança em geral causa certa "dor"...Mas, nós somos seres extremamente adaptáveis. E ao final do processo inicial, o oposto ocorre, e a dor se transformará em tranquilidade, e em paz de espírito.


Mais 24hrs de Paz e Serenidade

Autor - Emerson 
(artigo original 2012 - atualizado em 30/10/2016)