• Maconha faz mal?

    Saiba mais sobre a fundamentação científica acerca dos efeitos da maconha sobre o organismo.

Centro de atendimento tem 706 pessoas cadastradas. 27% dos pacientes são menores de 18 anos.

Usuários de cocaína e crack lideram atendimentos no Caps

Centro de atendimento tem 706 pessoas cadastradas.
27% dos pacientes são menores de 18 anos.

Kedma Araújo Do G1 Santarém
 
Pacientes CAPS - Cocaína e Crack
Paciente recebe atendimento psicológico
(Foto: Kedma Araújo/G1)
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), em Santarém, oeste do Pará, de janeiro a outubro de 2013, o Centro de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) cadastrou 706 pacientes. Desse total, 41% são usuários de pasta de cocaína ou crack, 37% utilizam álcool, 12% são usuários de cigarro, 8% usam maconha e 2% usam pó de cocaína ou cola.
Segundo a psicóloga do Caps AD, Carla Myrian, o aumento do tráfico na cidade facilitou o consumo de cocaína e crack. “E muitos traficantes, no intuito de viciar o usuário, começaram a mesclar drogas, como por exemplo, maconha com cocaína. E a tendência é o usuário procurar sempre por algo mais forte”, completa.
Conforme o cadastro, 27% dos pacientes são menores de 18 anos. Carla afirma que a evasão escolar, a falta de concentração e a dificuldade no aprendizado, são alguns sinais de alerta na conduta de adolescentes. “Comportamento mais agressivo, dormir demais ou olhos vermelhos são questões que tem que ser levadas em consideração. E também ver as amizades que esse jovem está saindo. É necessário ter essa preocupação, porque cada vez mais atendemos pacientes de 14 anos ou até menos”.

Caps AD
 
A equipe do Caps AD é formada por psicóloga, enfermeira, clínico geral, psiquiatra, assistente social, terapeuta ocupacional e técnicos de enfermagem.  Na instituição, o paciente é acolhido e após o cadastro, é atendido de acordo com a necessidade.

Além de atendimentos individuais, oferece terapias em grupo, onde o paciente tem contato com outras pessoas que estão passando pela mesma dificuldade. “A família também recebe suporte por meio de atendimentos individuais e grupos terapêuticos voltados aos familiares, onde recebem orientação de como conviver, o que fazer e como ajudar o paciente. Temos as oficinas terapêuticas que são variadas e relativas de acordo com a preferência deles, como artesanato com jornal, culinária, fabricação de gesso”, diz Carla.
O eletricista, Antônio Eugênio Filho, de 45 anos, recebe atendimento no Caps AD há dois anos. Ele começou a usar drogas durante um relacionamento. “Comecei com maconha, depois fui para cocaína, e quando eu fiquei dependente eu usava tudo, álcool e até remédios. 

Usava tudo que me tirasse do estado normal, não fazia nada sem droga”, lembra.
Atualmente, o eletricista está há um ano sem usar drogas. “Cada dia é um passo no tratamento pra mim. Minha vida profissional está começando a voltar ao normal, reconquistei minha família, que nunca me largou, mas recuperei a confiança deles. Meus filhos tinham medo de mim. Hoje já reconquistei o amor, o carinho deles, eles me abraçam, dizem que me amam, falam que eu sou o melhor pai do mundo, isso pra mim é uma injeção de ânimo para eu não voltar para aquela vida”.
 
Comunidade Terapêutica
 
Outro lugar que trabalha a recuperação de dependentes químicos, em Santarém, é a Comunidade Terapêutica Família Feliz. De acordo com o responsável pela instituição, o pastor José Carlos Lopes, mais de 2 mil homens foram atendidos em oito anos.
Na comunidade, o paciente fica hospedado por oito meses e não é obrigado a permanecer internado. “Nós só trabalhamos com a internação voluntária, onde o paciente não vai estar preso, não vai estar obrigado”.
O programa de recuperação distribui atividades para cada paciente. “Na terapia ocupacional eles limpam os ambientes e cuidam da horta. Nas aulas eles vão aprender sobre a recuperação, a vida e a postura deles; e o que eles têm que fazer para ficar longe do vício e vivenciar na prática dentro da comunidade”, explica o coordenador.

O técnico em informática, Marcos Gomes, de 42 anos, está em recuperação e dá aula de informática aos outros pacientes. Para ele, o isolamento é fundamental para a recuperação. “Se eu continuasse naquela vida, ia causar mais prejuízo para minha família, para os meus conhecidos e clientes. Precisava me isolar para minha mente estabilizar. O isolamento é a maior ajuda que tem nesse tratamento”, explica.

Faltam voluntários

Atualmente, a instituição é carente de ajuda profissional. De acordo com o coordenador da Comunidade Terapêutica, o quadro de funcionários é composto por pessoas que passaram pelo programa de recuperação e são voluntários. “Muita gente diz que quer ajudar, que vai ser voluntário, mas são muito vulneráveis, se empolgam e desempolgam muito rápido”.
Lopes afirma que é difícil encontrar quem queira trabalhar voluntariamente. Segundo ele, é necessário ter um terapeuta ocupacional, um psicólogo e um médico para acompanhar os tratamentos.

Para ajudar nas despesas, a instituição reaproveita zinco para montar outdoor e recebe uma contribuição financeira de algumas famílias dos pacientes. A comunidade também conta com a ajuda do Programa Mesa Brasil, do Sesc, o que ajuda nos custos de alimentação. “Tem dias que aperta financeiramente, então eu começo ligar, e felizmente temos pessoas que se eu ligar ajudam”, diz o coordenador da Comunidade.
O servidor público, Giovani Feitosa, de 48 anos, buscou tratamento na Comunidade após perceber os danos que a dependência química estava causando em sua vida, como perda de salário e dificultando cada vez mais o relacionamento familiar. “A fraqueza me levou a usar drogas. Usei os problemas familiares e a solidão quando viajava e ficava longe da família, como desculpa para entrar para o meio do vício. Eu usava álcool e outras drogas ilícitas, como maconha e cocaína”, lembra.
Após o tratamento, Feitosa recuperou a autoestima, a credibilidade e o salário que estava suspenso. Ele afirma que Deus, disciplina, autoconfiança e apoio foram muito importantes para a sua recuperação. “O trabalho da instituição foi fundamental, a forma como somos abordados é de muita conscientização. Hoje sou muito feliz”, afirma.

Serviço
Caps AD
Travessa 7de setembro, 692, bairro Aparecida.
Atendimento ao público: De segunda a sexta de 8h às 18h.
Documentos necessários: cartão do SUS, xerox do RG, do CPF e do comprovante de residência.
Comunidade Terapêutica Família Feliz
Avenida Lira Castela, 100, bairro Área Verde
Informações: 9131 1576

Fonte - G1
 
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Me dê motivos... para não usar

Em se tratando de prevenção às drogas e ao uso delas, existem "mil" sugestões e possibilidades. Todos tem seu ponto de vista: Reprimir, não reprimir, tratar, liberar, legalizar, educar, até matar (e já ouvi este absurdo muitas vezes...), dentre outros tantos.

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Vê-se nos últimos tempos na mídia, economistas falando do assunto, filósofos, cientistas políticos...Algumas possibilidades, com fundamento e razoáveis até, outras não, e outras ainda um absurdo completo claro. É de se espantar as soluções dadas por alguns. Porque ? Bem, é a velha história, do "marceneiro" querer opinar no trabalho do "alfaiate", ou imaginar que conhece a função deste.

Bem como existem profissionais sérios, médicos-psiquiatras, cientistas, pesquisadores, assistentes sociais, psicólogos, com boa vontade, muitas vezes mal remunerados, que travam também muitas vezes lutas solitárias na tentativa de resgatar vidas.

Também existe o lado dos usuários, no caso da maconha por exemplo. É fato, que estão advogando em causa própria, por isto óbvio que não merece consideração alguma. Primeiro, porque não há o menor embasamento científico que justifique, e segundo porque trata-se de defender a droga recreativa, não importando qual, e aí não há o menor cabimento. Justificar, o injustificável..."Liberar porque o crime irá diminuir...., porque é saudável, porque faz menos mal, porque isto e aquilo". Todo usuário, em "início de carreira" (no uso e abuso de drogas) tem um sonho: Poder usar sem consequências !

Talvez a questão, acerca das drogas, seria: Porque não usar drogas ?


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Porque usar: A insatisfação pessoal, ou a busca pela aceitação do grupo de amigos, fatores casuais, ou desestruturação familiar, enfim, "n" razões podem contribuir e levar a experimentação, e ao uso. Mas porque continuar, após a experimentação, se esta aconteceu ? O usuário continuará em minha opinião se: 1 - Alguns dos fatores citados acima estejam presentes (usuário abusivo) e/ou 2 - Possui predisposição para a dependência química.

Então vem um fato inegável...e chocante: Oras, a droga é boa ! Claro que é, a primeira dose, a sensação de euforia no momento em que a dopamina em grande escala é liberada, o "alívio"...são coisas que são interpretadas pelo cérebro, como "boas"...E o cérebro, pede mais, porque isto ficou registrado na mente. O cérebro, é uma máquina, não age por si só, mas possui algumas "fórmulas" pré-determinadas, como instintos....tal qual programações, se estamos com fome, temos de comer, se estamos com sede, temos de beber. E o prazer, ou a busca deste, é uma destas "fórmulas". Mas nós, temos o controle sobre esta máquina, dosando e administrando as reações, como por exemplo: o medo de uma cobra, nada mais é do que uma reação instintiva, porque pre-determinadamente, sabemos que as cobras (a mente generaliza) são venenosas e podem matar. Portanto o cérebro sabe, que ao ver uma cobra, devemos ficar em estado de alerta, onde acontecem uma série de reações químicas liberando adrenalina, etc.

Assim, existem duas situações:

1ª Situação

Voltando às questões ou circunstâncias que podem levar a experimentação, por exemplo, a frustração pessoal: É uma condição ruim estar frustrado, que pode gerar uma depressão, ou uma condição ruim para nós, portanto o cérebro interpreta como algo negativo. Aí a pessoa experimenta uma droga, inclusive o álcool (a experimentação fica ligada ao fato da frustração), imediatamente a frustração passa. O cérebro interpreta, como algo bom, isto é algo que grava-se em nossa mente, portanto a princípio "ele" irá pedir novamente a droga porque criou-se em nossa mente, que a solução do problema (frustração) é a droga. Neste caso, também é liberada nas sinapses uma substância especial chamada dopamina, por meio de reações químicas artificiais provocadas pela substância. E daí por diante....É uma explicação simples, de pessoa não formada na área, mas que fala por experiência pessoal, e com base em busca de conhecimento.

Cérebro e mente:
O cérebro é uma estrutura física, um órgão, considerado por muitos como o mais importante, que controla tudo o que um indivíduo faz. A mente é um sistema integrador de processos dinâmicos em interacção: processos conativos, cognitivos e emocionais. Um pouco confuso não? De uma forma mais simples, a mente constitui o lugar da actividade psíquica, considerada na sua totalidade, englobando operações conscientes e não conscientes, entre elas as emoções e os sentimentos. Assim, a mente é algo imaterial, invisível e, portanto, não palpável. (...) O cérebro e a mente estão então inter-relacionados: um influencia o outro de forma mútua. Pode assim afirmar-se que apresentam uma relação de interdependência que poderá ser melhor entendida usando a famosa metáfora do hardware (cérebro) e do software (mente). Tal como sem o hardware o software de um computador não pode existir, sem o cérebro, a mente não pode existir, sem a manifestação comportamental, a mente não pode ser expressada.
Fonte - cerebroemente
2ª Situação

Casualidade

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Ou, por uma casualidade houve a experimentação, e o resultado foi o prazer. A "conta" é basicamente simples e o processo mental praticamente o mesmo. Registra-se na mente que, o uso de determinada droga trouxe prazer, portanto, a mente solicitará novamente a droga, para que haja a reação orgânica e química no cérebro, e o ciclo forma-se.

Perde-se as vezes de vista o fato de que, a vida, fundalmentalmente, foi feita para ser vivida sem o uso de substâncias por mera recreação, da mesma forma como exemplo,  diversas pesquisas já demonstraram que não temos o "desenho" natural para sermos carnívoros, mas de qualquer modo, comemos carne, e muita as vezes.

Porque não usar drogas ?

Em primeira mão, a princípio, as pessoas tem todas as informações factuais e concretas, sobre as mais variadas consequências do uso das drogas (ou deveriam ter). Pinta-se as vezes até o irreal, com o intuito mais "assustar" ou "aterrorizar" do que informar. Oras, se seguir esta linha, esquece-se do seguinte: 1 - A maioria dos jovens (inclusive eu fui assim) pensam que sabem de tudo, e podem controlar tudo, e 2 - Vem a pergunta: - Porque se é tão ruim, tem tanta gente que usa ?

Apesar de tudo o que passa nos jornais, a respeito do crack, apesar de podermos ver nas ruas de praticamente todas as cidades brasileiras usuários de crack...apesar e contudo, ainda assim é necessário apontar outras direções, o "terror" sobre as drogas, as vezes não convence.

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Muito também, soma-se ainda tem o fato de se ter toda esta exploração na mídia e nos meios por parte de legalizar ou não a maconha...onde o direito e liberdade de opinião (necessários até), leva porém muitas vezes conhecimento parcial e distorcido, que chega aos lares e as jovens, onde então muitos esperavam somente por estes motivos irreais (mas plausíveis porque vem de "alguma mente brilhante"), para poder usar sem muitas cobranças. 


Opiniões de especialistas não faltam:

Debates - Acreditar que hoje é possível legalizar a maconha no Brasil é uma grave miopia!

Pesquisa nega que maconha tenha benefício contra esclerose múltipla progressiva 

Alguns efeitos ou consequências físicas, psíquicas, e clínicas do uso de maconha

Há todo um "clima" em torno do assunto, que é tratado de maneira leviana, e sem responsabilidade por alguns. Afora isto, ainda temos álcool, ecstasy, lsd, mma, etc. em festas e baladas, em grande oferta e em escalas sem precedentes. É extremamente fácil, se adquirir estas drogas em uma destas festas, e outras drogas também. Algo em torno de 5% a 10% dos frequentadores destas festas consomem drogas ilegais, cerca de 60% a 70% consomem algum tipo de álcool, os restantes 10% a 20% realmente só estão nestes locais e festas para divertir-se com a dança. Portanto a "mecanismos" e "caminhos" sociais extremamente fáceis de oportunizar a experimentação de algum tipo de droga ilegal, e/ou abusar das legalizadas.

Não usar... Descobre-se com a estagnação do uso, algumas diretrizes sem as quais, todo o processo que perdura enquanto se vive, não funcionará, destacando:

Aprender a viver realmente a vida, com consciência do que acontece, sem máscaras, sem entorpecimentos;
Aceitar a si mesmo e gostar de si mesmo;
Aceitar sua própria condição social, ou buscar meios para melhorá-la;
Aceitar o grupo social a que pertence;
Saber para onde se vai: caso contrário qualquer lugar serve;
Ter objetivos concretos;

E outras tantas motivações...

É necessário ofertar motivos, mesmo que a curto prazo estes não sejam tão atraentes quanto a superficialidade de festas, e imediatamente prazerosos como a droga. Acredito que a droga, por si só, não seja o problema principal. Família, educação de qualidade, emprego, infraestrutura, bem como mudança de cultura social...

Algumas coisas, são óbvias porém radicais....se a cultura geral apela para o consumo de álcool, isto é algo que não mudará do dia para noite, visto estar enraizado muito profundamente, então é bem simples, leis mais rígidas, absolutamente rígidas sobre o consumo, venda e propaganda de bebidas alcoólicas...Mas, claro que tal medida vai contra não só a grandes empresas que lucram alto, vai contra até o próprio governo, que lucra também alto com impostos...

Creio que resume-se em uma só palavra, e um bom motivo, para não se usar drogas...VIDA. Haverá o dia em que todos terão em mente a seguinte equação: DROGA=MORTE, aí talvez...as coisas possam tomar um rumo diferente.


Autor  - Emerson
Mais 24 Hrs de Paz e Serenidade 



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Debates - Acreditar que hoje é possível legalizar a maconha no Brasil é uma grave miopia!


Por Por Ana Cecilia Petta Roselli Marques, especial para o Yahoo Notícias* | Yahoo Notícias

Debates - Acreditar que hoje é possível legalizar a maconha no Brasil é uma grave miopia!
A médica psiquiatra Ana Cecília Petta Marques: Vive-se no Brasil um momento de baixíssima percepção de risco em relação ao uso de todas as drogas, principalmente, sobre o uso da maconha e seu impacto no desenvolvimento dos adolescentes.
Desde 2006, com a nova tão lei de drogas, o clima tem sido de extrema permissividade, quase uma cegueira, infelizmente, reforçando uma velha e ineficaz dicotomia na área, o “tudo ou nada”. Existem tantos aspectos importantes, que vão desde a diferença entre o usuário recreacional e o dependente, o traficante, patrão ou empregado da indústria das drogas, às vezes dependente também, e ninguém enxerga que está tudo misturado, e sem saber o que se tem pela frente, como é possível aplicar uma lei, ou até mesmo criticá-la, uma lei apenas resolverá a questão das drogas? 

Os países desenvolvidos que adotaram políticas mais flexíveis no século passado, já voltaram atrás e hoje, regulam muito mais a oferta de drogas, avaliam continuamente o resultado, e o mais importante, definem de forma rápida, novas medidas para o bem estar comum. Eles enfrentaram e ainda enfrentam o aumento do consumo, o uso ainda mais precoce, o aumento da prevalência da dependência e de todas as suas consequências, como o aumento do consumo de outras drogas, o aumento de doenças sexualmente transmissíveis, e o mais grave, apontam para um perfil de vulnerabilidade, pois acometem indivíduos jovens, no auge de sua saúde física, capacidade laboral, com toda a vida ainda por viver. Mas que de repente, se viram mergulhados em uma nova guerra...

Pior ainda são os exemplos de países como o Afganistão, com suas “cracolândias” de ópio e seus derivados... Por lá, as drogas estão no varejo, disponíveis, o acesso é fácil, o preço muito baixo. Mas e por aqui? A miopia do sistema não permite enxergar o que diz a realidade e a Ciência das Drogas, que avançou muito nos últimos 30 anos, que alerta continuamente, para um conhecimento novo sobre um tema tão complexo.

É preciso que os legalistas enxerguem que a cascata de eventos produzidos pela liberalização do uso de drogas em um país em desenvolvimento, muito jovem ainda, de dimensões continentais, onde não existe prevenção nem tratamento, e muito menos uma regulação adequada das drogas lícitas para adultos, pode ser ainda mais danosa que a política de guerra às drogas. E isto não significa voltar à repressão, mas urge a adoção de um tripé político para um dos problemas humanos mais antigos da História.

Esclarecimento permanente, dentro de uma prevenção moderna, com foco no preconceito, diminuirá um pouco o abismo enorme existente entre o uso de drogas e o modelo de proteção para crianças e adolescentes brasileiros. Uma “política para o bem do Brasil”.

Não, ainda não dá nem para pensar na legalização. É preciso dirigir todos os esforços para promover o debate, realizar pesquisas, obter financiamento para implantar medidas de acordo com a cultura brasileira, revitalizando a ética coletiva, e ao final de um longo prazo, definir com a aprovação da maioria dos brasileiros qual é a melhor política de drogas? Por onde começar? Enxergar “bem claramente” um dos princípios mais importantes da Humanidade: respeitar o direito humano, principalmente das crianças, de não usar drogas!

* Ana Cecilia Petta Roselli Marques é médica psiquiatra, doutora em ciências pela UNIFESP e professora afiliada da mesma instituição.

Tylenol causa 150 mortes por ano nos EUA, diz ONG

Um levantamento feito pela organização sem fins lucrativos Pro Publica, dos EUA, mostra que, de 2001 a 2010, cerca de 150 americanos morreram por ano por intoxicação após o consumo de paracetamol, princípio ativo do analgésico Tylenol. 


Tylenol causa 150 mortes por ano nos EUA, diz ONG
Segundo a Pro Publica, que consultou dados dos CDCs (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), essas mortes ocorreram por ingestão acidental de doses maiores do que as recomendadas na bula. 
O problema, diz a organização, é que a diferença entre a dose máxima por dia para adultos (4 g) e a quantidade que pode causar danos ao fígado é pequena, facilitando a overdose acidental. Outro problema é que a FDA (agência reguladora de remédios nos EUA) demorou muito para incluir na bula alertas importantes sobre o uso da droga, em especial para pessoas que bebem álcool regularmente ou tomam outros remédios. FÍGADO O paracetamol é metabolizado no fígado. 
 
Em caso de doses excessivas ou de pessoas desnutridas, que bebam álcool regularmente ou que tomem outros remédios, esse metabolismo produz uma substância tóxica que pode levar à falência hepática. No Brasil, segundo o hepatologista Raymundo Paraná, não há dados sólidos sobre intoxicações por paracetamol, mas a Sociedade Brasileira de Hepatologia está iniciando um estudo em oito centros de referência para doenças do fígado e em uma unidade básica de saúde para medir sua ocorrência. O hepatologista, que é professor da faculdade de medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia), afirma que a dose máxima do remédio deveria ser reduzida de 4 g por dia para 3 g. 
 
"É uma droga segura, mas se usada no limite terapêutico. Até 3 g por dia não causa problemas. Entre 3 g e 4 g já houve casos [de intoxicação] em pacientes que usavam outras medicações." Ele destaca que o efeito colateral causado pelo paracetamol é previsível e proporcional à dose tomada, diferentemente dos problemas que podem ocorrer com o uso do analgésico que encabeça a lista dos remédios mais vendidos no Brasil, a dipirona. A droga já foi ligada a um problema raro que leva a medula óssea a parar de produzir células de defesa. 
 
Nos EUA e em alguns países da Europa, a dipirona não é vendida. Já para Aurélio Saez, diretor de relações institucionais da Abimip (associação de fabricantes de remédios isentos de prescrição), o fato de o Brasil e outros países onde a dipirona é vendida não terem números tão grandes de intoxicação por paracetamol fala a favor da dipirona. Mas ele lembra que nos EUA e em outros países com altas taxas de intoxicação por paracetamol, é comum o uso desse remédio em tentativas de suicídio. OUTRO LADO Em nota, a Johnson&Johnson, fabricante do Tylenol, afirma que, quando usado de acordo com a bula, o paracetamol tem "um dos melhores perfis de segurança entre os analgésicos isentos de prescrição". Mas, como qualquer remédio, pode trazer riscos acima das doses recomendadas. "Os consumidores devem sempre ler a bula, não ingerir mais do que a dose recomendada e seguir sempre a orientação de um médico." À Pro Publica, a FDA admitiu que houve demora em acrescentar alertas às bulas do Tylenol, mas que isso foi feito conforme a evolução das evidências científicas.


Fonte - Folha de São Paulo 
 
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Por filhos, mulheres vencem o crack

A unidade só recebe pessoas encaminhadas pela Seção de Acolhimento para Adultos, Idosos e Família


Por filhos, mulheres vencem o crack
Secor/Prefeitura de Santos

Na vida, é mais fácil e rápido destruir do que construir. Na Seção Abrigo para Adultos, Idosos e Família (SeAbrigo-Aif), quatro mulheres tentam reconstruir suas vidas após várias perdas. Psicólogos e assistentes sociais da Seas (Secretaria de Assistência Social) fazem um trabalho paciente. Sabem que as marcas da rua, sejam elas o vício das drogas ou o descompromisso social, são difíceis de serem apagadas.


J.F. é uma dessas mulheres. Aos 30 anos, passou metade da vida na rua. Consumiu e foi consumida pelo crack por 20 anos, se prostituiu e perdeu a guarda de seis filhos, de quatro não tem qualquer informação. Mas tudo mudou em 12 de novembro de 2012, quando nasceu a caçula. “Não sei explicar a força desse amor, mas o medo de perder minha filha me fez parar (de usar crack)”. E ela o fez sem tratamento médico, contou só com o apoio dos profissionais da Seas. Hoje faz planos: matricular a filha na creche e entregar as encomendas de costura, seu novo trabalho.
A história de M.N. não é muito diferente. Aos 14 anos conheceu o crack e por causa da droga perdeu a família. Só descobriu a gravidez aos 7 meses, mas a notícia a motivou a "parar com tudo de errado". Cuidando da filha de 2 meses e "limpa" há 4 meses, faz planos de trabalhar e depois apresentar a menina para a família, que vive em Santo Amaro. "Só quero fazer isso depois de estar trabalhando".

Serviço

A SeAbrigo-Aif fica na rua General Câmara, 249, tem capacidade para 30 pessoas e está completa. A unidade só recebe pessoas encaminhadas pela Seção de Acolhimento para Adultos, Idosos e Família. Na SeAbrigo-Aif, eles continuam com um plano individual de atendimento e são inseridos em oficinas de qualificação profissional. O objetivo é conseguirem autonomia para saírem do abrigamento.

Fonte - Diário do Litoral

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Recaída ao uso de drogas é alvo de pesquisa de neurocientistas

Em busca de tratamentos mais eficazes contra a dependência, cientistas do National Institute on Drug Abuse (Nida/NIH), dos Estados Unidos, têm se dedicado a criar métodos para identificar e estudar pequenos grupos de neurônios relacionados com a sensação de fissura por drogas.


Recaída ao uso de drogas é alvo de pesquisa de neurocientistas
O grupo coordenado por Bruce Hope conta com o brasileiro Fábio Cardoso Cruz, ex-bolsista de mestrado e de pós-doutorado da FAPESP que acaba de publicar um artigo sobre o tema na revista Nature Reviews Neuroscience.

“Nossa linha de pesquisa se baseia no pressuposto de que a dependência é um comportamento de aprendizado associativo. Quando um indivíduo começa a usar uma determinada substância, seu encéfalo associa o efeito da droga com o local em que ela está sendo consumida, as pessoas em volta e a parafernália envolvida, como seringas, por exemplo. Com o uso repetido, essa associação fica cada vez mais forte, até que a simples exposição ao ambiente, às pessoas ou aos objetos já desperta no dependente a fissura pela droga”, afirmou Cruz.

Evidências da literatura científica sugerem que essa memória associativa relacionada ao uso da droga com os elementos ambientais seria armazenada em pequenos grupos de neurônios localizados em diferentes regiões do encéfalo e interligados entre si – conhecidos em inglês como neuronal ensembles.

“Quando o dependente depara com algo que o faz lembrar da droga, esses pequenos grupos neuronais são ativados simultaneamente e, dessa forma, a memória do efeito da droga no organismo vem à tona, fazendo com que o indivíduo sinta um desejo compulsivo pela droga que é capaz de controlar o comportamento e fazer com que o dependente em abstinência tenha uma recaída mesmo estando ciente de possíveis consequências negativas, como perda do emprego, da família ou problemas de saúde”, disse Cruz.

Por meio de experimentos feitos com animais, os pesquisadores do Nida mostraram que apenas 4% dos neurônios do sistema mesocorticolímbico são ativados nesses casos de recaída induzida pelo ambiente. “São vários pequenos grupos localizados em regiões do cérebro relacionadas com as sensações de prazer, como córtex pré-frontal, núcleo accumbens, hipocampo, amígdala e tálamo”, contou.

Segundo Cruz, a maioria dos trabalhos que buscam entender a neurobiologia da dependência e descobrir possíveis alterações moleculares relacionadas com comportamentos que levam à recaídaavalia todo o conjunto de neurônios presente em amostras de tecidos cerebrais em vez de focar apenas nesses pequenos grupos.

“Acreditamos que uma alteração realmente significativa pode ser mascarada por mudanças nesses outros 96% dos neurônios não relacionados com a recaída. Por isso buscamos metodologias para estudar especificamente esses 4%”, explicou.

Uma das estratégias descritas no artigo publicado na Nature Reviews Neuroscience faz uso de uma linhagem de ratos transgênicos conhecida como lacZ. Os animais são modificados para expressar a enzima β-galactosidase apenas nos neurônios ativos.

“Nós colocamos o animal em uma caixa e o ensinamos a bater em uma barra para receber cocaína. Depois de um tempo, movemos o animal para uma caixa diferente, na qual ele não recebe a droga quando bate na barra. Chega uma hora em que o animal para de bater na barra. É como se estivesse em abstinência. Mas quando o colocamos de volta na primeira caixa, ou seja, no ambiente que ele foi treinado a receber a droga, ele imediatamente volta a bater na barra à procura da droga”, contou Cruz.

Nesse momento, os pequenos grupos neuronais são ativados no rato pelos elementos do ambiente. Os pesquisadores administram então uma substância chamada Daun02, que interage com a enzima β-galactosidase e se transforma em um fármaco ativo chamado daunorubicina, que provoca a morte desses neurônios ativos.

“Esperamos cerca de dois dias para o fármaco concluir seu efeito e, quando colocamos novamente o animal no ambiente associado à administração da droga, ele não apresenta mais o mesmo comportamento de busca da substância. É como se a fissura tivesse sido apagada após a morte desse pequeno grupo de neurônios relacionado com esse comportamento de recaída”, contou Cruz.

Outra técnica descrita no artigo também faz uso de animais transgênicos capazes de expressar uma proteína fluorescente apenas nas células ativadas. “Com auxílio da citometria de fluxo, conseguimos isolar apenas essas células que ficam fluorescentes e então procuramos por possíveis alterações moleculares. Podem ser alterações estruturais, como aumento no número de espinhos dendríticos, o que aumenta a interação sináptica e deixa o neurônio mais sensível. Podem ser proteínas intracelulares que também aumentam a atividade desses neurônios”, explicou.

Uma vez identificadas essas alterações, acrescentou Cruz, elas vão se tornar alvos para o desenvolvimento de fármacos capazes de tratar de forma mais eficiente a dependência. “Não existe hoje um medicamento realmente eficaz, tanto que cerca de 70% dos usuários de cocaína sofrem recaída após um período de abstinência. No caso do álcool, o número é maior que 80%”, afirmou.

O grupo do Nida conta ainda com outros pesquisadores brasileiros, entre eles Rodrigo Molini Leão, que acabou de concluir o doutorado com Bolsa da FAPESP na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (FCFAr-Unesp) em Araraquara. Também participa o doutorando Paulo Eduardo Carneiro de Oliveira, da FCFAr-Unesp.

Fonte - Agência FAPESP 

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