• Maconha faz mal?

    Saiba mais sobre a fundamentação científica acerca dos efeitos da maconha sobre o organismo.

Mais de 10 toneladas de maconha são incineradas no oeste do Paraná

Mais de 10 toneladas de maconha são incineradas no oeste do Paraná

Também foram queimados 59 kg de cocaína, 160 kg de crack e haxixe.
Produtos foram incinerados em uma cooperativa de Cafelândia, no oeste.

Do G1 PR, em Cascavel

Mercadorias foram apreendidas em operações realizadas na região oeste e sudoeste 
 
(Foto: Polícia Federal/Divulgação)
Policiais federais da delegacia de Cascavel, no oeste do Paraná, incineraram, nesta terça-feira (8), 11 toneladas de maconha, 96 kg de haxixe, 59 kg de cocaína, 160 kg de crack, 20 mil unidades de comprimidos de ecstasy e 2,6 mil frascos de lança perfume. Os produtos foram queimados em uma cooperativa de Cafelândia, também no oeste do estado.

De acordo com a PF, as mercadorias foram apreendidas em operações realizadas na região que engloba os municípios do oeste e sudoeste paranaense. O carregamento da droga foi feito sob forte escolta policial e a previsão era que o trabalho de incineração acabasse no meio da tarde desta terça-feira.

Fonte - G1
 
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Drogas ficaram mais puras e baratas nos últimos 20 anos, diz estudo

Uma pesquisa realizada no Canadá revelou que as drogas tornaram-se mais baratas e mais puras ao redor do mundo nos últimos 20 anos, sugerindo um "fracasso" dos esforços para conter a produção, consumo e tráfico de entorpecentes.

Drogas ficaram mais puras e baratas nos últimos 20 anos, diz estudo
O estudo do International Centre for Science in Drug Policy (Centro Internacional para a Ciência em Políticas de Drogas) foi publicado na revista científica British Medical Journal Open e avaliou programas de contenção e vigilância de governos de diferentes países.
De acordo com os responsáveis pela pesquisa, os governos deveriam passar a considerar o uso de drogas um aspecto de saúde pública, e não um assunto para a Justiça.
"Nós deveríamos procurar implementar políticas que colocam a saúde e a segurança no topo das nossas prioridades, e considerar o uso de drogas como um aspecto de saúde pública, ao invés de um problema para a Justiça criminal", diz Evan Wood, um dos responsáveis pelo estudo.
"Com o reconhecimento do improvável sucesso dos esforços para reduzir o fornecimento de drogas há uma necessidade clara para aumentar o tratamento do vício e de outras estratégias para diminuir de forma efetiva os danos relacionados ao uso de drogas", complementa.

Preços, pureza e disponibilidade

De forma geral, os números compilados pelo centro canadense mostram que entre 1990 e 2010 os preços das drogas caíram, enquanto a pureza e a potência aumentaram.
Na região andina (Peru, Bolívia e Colômbia) a apreensão de folhas de coca aumentou em quase 200% entre 1990 e 2007, mas isso não levou a uma grande redução do consumo de cocaína em pó nos Estados Unidos, colocando em xeque as políticas públicas focadas na contenção do fornecimento de entorpecentes.
Na Europa, o preço médio das drogas à base de ópio e da cocaína, reajustados de acordo com a inflação e o grau de pureza, diminuíram em 74% e 51% respectivamente entre 1990 e 2010.
Além disso, as drogas estão mais puras e mais disponíveis ao redor do mundo.
Os números do relatório mostram que houve um aumento significativo em diversos países com relação à apreensão de cocaína, heroína e maconha, conforme os registros governamentais desde 1990.
Para o centro baseado em Vancouver, a análise mostra que o foco baseado na contenção do fornecimento e criminalização tem falhado, e que outras estratégias, como a descriminalização, deveriam ser apreciadas.

Polêmica

A divulgação do estudo ocorre dois dias após um policial britânico de alto escalão ter dito que drogas como cocaína, crack, ecstasy, LSD e metadona deveriam ser descriminalizadas, e que os usuários deveriam receber cuidado e tratamento, ao invés de serem vistos como criminosos.
Para Mike Barton, a descriminalização eliminaria os rendimentos dos traficantes, destruindo seu poder. Outro aspecto positivo seria a criação de um "ambiente controlado", em que medidas para lidar com o assunto poderiam ser mais bem sucedidas.
Em resposta, o governo britânico disse que as drogas eram ilegais por serem perigosas. "Nós devemos ajudar os indivíduos que são dependentes com tratamento, ao mesmo tempo em que devemos garantir que a lei proteja a sociedade através da interrupção do fornecimento e do combate ao crime organizado que está associado ao comércio de drogas".
Entre os especialistas ouvidos pelo International Centre for Science in Drug Policy está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que nos últimos anos vem defendendo novas estratégias para lidar com o assunto.
"Em resposta a um estudo como este, os governos em geral dizem que ‘as drogas são perigosas e por isso devem ser mantidas ilegais", diz.
"O que eles não consideram é que assim como esta e outras pesquisas já sugeriram, as drogas são mais danosas à sociedade, aos indivíduos e aos contribuintes – precisamente pelo fato de serem ilegais. Alguns países europeus já tomaram passos para descriminalizar várias drogas, e estes tipos de políticas também deveriam ser exploradas na América Latina e na América do Norte", avalia.

Fonte - BBC

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DROGAS – Realidade da fronteira do Brasil com o Peru

DROGAS – Realidade da fronteira do Brasil com o Peru expõe a estupidez e até a crueldade da militância em favor da descriminação das drogas. Ou: A mão que sustenta o lobby


Blog do Reinaldo Azevedo

A Folha publica uma reportagem de Lucas Reis sobre a produção de cocaína na fronteira do Peru com o Brasil que traz números impressionantes. Ela dá conta do despropósito em que incorrem aqueles que defendem a chamada “descriminação do porte de drogas”, especialmente quando essa defesa vem ancorada em realidades que nada têm a ver com o Brasil — e, ainda assim, falsas. Já chego lá. Vamos ver.

DROGAS – Realidade da fronteira do Brasil com o Peru
Segundo o texto, as plantações de folha de coca do Peru avançam rumo à fronteira com o Brasil, e a estratégia da Polícia Federal brasileira, em parceira com forças policiais peruanas, tem sido a destruição dos laboratórios. Informa a reportagem: “A Operação Trapézio 3, em andamento desde o dia 13 pela Polícia Federal em conjunto com a polícia do país vizinho, já destruiu 24 desses laboratórios próximos ao município de Tabatinga (AM) e apreendeu mais de 70 toneladas de produtos químicos usados na produção da droga.” Mais: “Em 2011, a PF realizou a primeira operação Trapézio, cuja meta era a erradicação dos pés de coca. 

‘Erradicamos 90 hectares de coca, mas estimamos que ficaram, de pé, 10 mil hectares’, afirma o delegado [Mauro Sposito]. ‘A dificuldade para arrancar as plantas é grande. Além disso, você arranca e eles plantam de novo. Perde-se muito tempo.’”
Os dados não poderiam ser mais preocupantes: “Segundo estudo divulgado nesta terça-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU), nenhuma região do Peru multiplicou tanto sua produção de coca como na fronteira com o Estado do Amazonas. Em 2011, eram 1.700 hectares de plantação; no ano passado deu um salto de 73% e chegou a 2.900 hectares. Em relação a 2008, o crescimento da área plantada nessa região é de 471%. A Polícia Federal, porém, estima que esses números sejam modestos. ‘Nós calculamos que há mais de 10 mil hectares de plantação de coca na fronteira do Peru com o Brasil’, afirma Sposito. ‘Até 2004 não existia um pé de coca na fronteira. Essa droga não tem outro destino que não seja o Brasil’, disse o delegado.”

Retomo
Vamos ver. O país usado como referência de suposto sucesso da descriminação do porte de qualquer droga é Portugal. Mente-se de forma descarada ao se sustentar que o consumo de substâncias entorpecentes caiu. Ao contrário! Subiu! Aumentou enormemente o número de pessoas que entraram em contato com elas pela primeira vez. Também a violência cresceu, embora, antes como agora, exiba números abissalmente menores do que os de Banânia. 

Ainda não foi dessa vez que se conseguiu diminuir o consumo de uma substância facilitando a exposição das pessoas à dita-cuja. Como  observei nesta página no dia 22 de abril, ainda que fosse verdade tudo o que se diz sobre Portugal, estaríamos diante de uma mentira ao se tentar usar aquele país como parâmetro. A parte continental de Portugal, com o mar a oeste e ao sul, tem uma costa de 1.230 km apenas; ao norte e ao leste, um único vizinho: a Espanha. Banânia tem 9.230 km de litoral a serem vigiados e faz fronteira com nove países. Quatro deles são produtores de cocaína: Colômbia, Venezuela, Peru e Bolívia. E o Paraguai é origem de parte considerável na maconha que circula no Brasil. A população de Portugal inteiro é menor do que a da cidade de São Paulo: pouco mais de 10 milhões. Somos, por aqui, 200 milhões, divididos por uma desigualdade social estúpida.

Então voltemos à reportagem da Folha Online. Faz sentido falar em descriminação da posse de drogas diante do que se lê ali? O que vocês acham que aconteceria com a economia das regiões fronteiriças do Brasil — e, a rigor, com a do país? Os mais ousados querem ir ainda mais longe: defendem também o que chamam de descriminação do “pequeno tráfico”. Neste ano, o governo federal financiou um seminário em que se defendeu até a liberação da produção, da venda e do consumo de qualquer droga. Pois é… O Brasil poderia, assim, desistir das riquezas do pré-sal. Trocaríamos o ouro negro pelo outro branco — em pó.
O grande financiador dos lobbies em favor da descriminação de todas as drogas no mundo — INCLUSIVE NO BRASIL — é o multibilionário George Soros, por intermédio dos muitos braços da fundação Open Society. O que ele quer com isso? Não sei. Pode ser só uma convicção aloprada — e não creio que tenha se tornado um multibilionário porque meio maluco. Acho que não… 

Pode ser também um troço bem mais corriqueiro, banal até. Imaginem quanto dinheiro sairia das sombras para entrar no mercado, onde Soros é rei, caso houvesse um liberou-geral. Não se trata de nenhuma teoria conspiratória, mas de matéria de fato, objetiva. Façam vocês mesmos a pesquisa e chegarão às evidências. Não custa lembrar à margem: Soros é um dos fundadores do site de petições Avaaz, comandado, no Brasil, por Pedro Abramovay, um dos mais ativos prosélitos em favor da descriminação das drogas.
Não é raro que num embate qualquer sobre o assunto, fanáticos da causa indaguem, como se guardassem na manga um argumento mortal, pronto a disparar contra o oponente, quais seriam os interesses secretos e inconfessáveis por trás da proibição. Pois é… 

Encerro
 
O que se passa na fronteira do Brasil com o Peru indica o que aconteceria caso todas as drogas fossem realmente descriminadas, como querem os financiados de Soros mundo afora. É evidente que os desastres se distribuiriam desigualmente no mundo, ficando a pior parte, como de hábito, para os países pobres. Ou vocês conhecem país rico que pode produzir droga em escala industrial?
A militância em favor da descriminação das drogas é, acima de qualquer equívoco ou postura que se queira libertária, uma militância em favor da pobreza dos países que já são pobres.

Por Reinaldo Azevedo

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ATENÇÃO! DADOS SOBRE DROGAS DA FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ AFRONTAM A ARITMÉTICA ELEMENTAR OU: PARA A FIOCRUZ, MACONHA NÃO É MAIS DROGA?

ATENÇÃO! DADOS SOBRE DROGAS DA FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ AFRONTAM A ARITMÉTICA ELEMENTAR OU: PARA A FIOCRUZ, MACONHA NÃO É MAIS DROGA?

Blog do Reinaldo Azevedo
maconhaO desastre da política federal de combate ao crack está evidenciado de várias maneiras. O levantamento do site Contas Abertas ilustra com números inquestionáveis o que se percebe nas ruas. Nesta quinta, vieram a público dados de uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Eles já me pareceram escandalosos o suficiente como demonstração da incúria oficial. Escrevi a respeito. Lembrei as promessas jamais cumpridas de Dilma Rousseff também nesse particular e apontei, em face dos números, a irresponsabilidade daqueles que advogam a descriminação das drogas, a começar de Paulo Gadelha, presidente da Fiocruz, um verdadeiro fanático da causa. ATENÇÃO, LEITOR, PARA O QUE VEM AGORA. Ainda que os números da Fiocruz já sejam, por si, devastadores, ESTOU COM A DESAGRADÁVEL DESCONFIANÇA DE QUE FOMOS ENGANADOS. Li a respeito, conversei com especialistas, e a equação não fecha. Parece que a Fiocruz está tentando fazer com que diabo pareça menos feio do que é.
Vamos ver.
A primeira restrição importante parte do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que é médico. Ele é demonizado pelas hostes favoráveis à descriminação das drogas por ser um duro crítico da proposta. A Fiocruz, por meio de um dos coordenadores da pesquisa, estimou em 700 mil o número de usuários de crack no Brasil — 370 mil deles estariam nas capitais e no Distrito Federal. Fato: o crack está disseminado em todo o país. Fato: não há cidade, por menor que seja, aonde não tenha chegado essa praga. Fato: consome-se crack até em aldeias indígenas. Fato: o crack, há muito tempo, não é mais um problema de áreas marginais de grandes centros urbanos.
Ora, ora… As capitais brasileiras, lembra o deputado, somam 44,7 milhões de habitantes. No país, somos 200 milhões. Uma regra de três simples apontaria, então, mantida a proporção, para algo em torno de 1,6 milhão de usuários em todo o país — e não os escandalosos em si, mas modestos, 700 mil, como estima representante da fundação. Ainda que se possa considerar que o crack se distribui desigualmente país afora, a desproporção seria gigantesca.
Vou aqui fazer uma continha. Segundo o Censo de 2010, a população das capitais está um pouco acima dos 44,7 milhões: 45.940.041. Arredondo para 46 milhões. Se é verdade que os usuários de crack nessas cidades somam 370 mil, temos uma taxa de 804,34 usuários por 100 mil habitantes, certo? Segundo os mesmos dados de 2010, a população brasileira somava 190.755.799 — arredondo para 191 milhões. Desse total, então, 145.000.000 viviam fora das capitais. A Fiocruz sustenta que o total de usuários de crack em todo o país chega a 700 mil. Se 370 mil estão nas capitais, os outros 330 mil se espalham nos demais municípios (é mesmo, é?), nesse caso, então, a taxa de usuários por 100 mil habitantes seria de 227,58. A Fiocruz pretende, assim, que acreditemos que a taxa de usuários de crack por 100 mil habitantes do resto do Brasil corresponde a apenas 28,29% do que se registra nas capitais.

Mas não é só isso, não! Prestem atenção ao que vem agora.

A pesquisa da Fiocruz utiliza uma metodologia segundo a qual “usuário regular” é aquele que utilizou crack por pelo menos 25 dias nos últimos seis meses. Na apresentação dos resultados, diz-se explicitamente que não se trata de 25 vezes, e sim de dias de utilização, “pois usuários de algumas substâncias (como cocaína em pó e crack), frequentemente, fazem uso das mesmas de forma repetida, num curto espaço de tempo, no contexto de um mesmo dia”.
Cabe, então, perguntar: dadas as características da droga e a relação dos consumidores com ela, não seriam estes “usuários regulares”, na verdade, DEPENDENTES? Afinal, numa continha simples, trata-se de indivíduos que utilizaram a droga AO MENOS um dia por semana nos últimos seis meses, em média!
Os dados divulgados, de 370 mil “usuários regulares” de crack nas capitais, tudo indica, esconde uma realidade bem mais perigosa: eles são mesmo é dependentes. Os usuários podem atingir um número dramaticamente maior.
Não por acaso, Ilona Szabó, tratada por setores da imprensa como uma espécie de Schopenhauer da descriminação das drogas, aproveita os números mais do que inconsistentes da Fundação Oswaldo Cruz para negar a epidemia, indagando em O Globo: “Por que o crack incomoda tanto?”. Ah, sei lá, vai ver se trata de uma conspiração de reacionários capitalistas contra esses revolucionários…

A hipótese sociológica

Como afirmei aqui, tudo o que é ruim nas sociedades é pior para os pobres, incluindo fenômenos e catástrofes naturais, como tempestades ou terremotos. Com o crack não é diferente. Estão tentando emprestar um viés sociológico meio vagabundo ao fato de que a pesquisa constatou que há mais consumidores da droga no Nordeste e ao fato de que os mais pobres são as maiores vítimas.
A tese sub-reptícia é a de que estamos diante de um problema de luta de classes. Se corrigidas as desigualdades, haveria menos consumo da droga — o que, por sua vez, dispensaria outras políticas públicas como repressão ao tráfico, intimidação do consumo e internação de dependentes.
O Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), coordenado pelo psiquiatra Ronaldo Laranjeira, também evidencia um aumento do consumo no Nordeste, sinal de que o tráfico ganhou capilaridade e, numa estratégia típica de negociantes, foi buscar mercados menos hostis ao produto que vende — vale dizer, onde a repressão é menor.
Uma nova frente de estudos, aliás, se abre com essa evidência. Segundo o Mapa da Violência, enquanto o número de homicídios caiu bastante na região Sudeste nos últimos anos, atingiu índices alarmantes no Nordeste. Fica cada vez mais evidente a associação entre o uso de drogas, especialmente o crack, e os crimes violentos, outra realidade que a nossa Schopenhauer da descriminação pretende ignorar. O sujeito parte do assalto para o latrocínio não porque esteja sendo perseguido pela polícia em razão de seu vício. Mata, dona Ilona, porque está doidão e já não sabe distinguir um crime menor de um crime maior. E já não sabe a diferença entre a vida de um ser humano e a de um rato.
Ultima observação

A pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz também mede o percentual de consumidores de drogas ilícitas das capitais que consomem crack: seria de 35%. Por alguma razão que não consegui descobrir, a maconha foi excluída da conta. Ou por outra: não se sabe quantos dos consumidores de maconha também consomem crack.

Vai ver maconha deixou de ser droga…

Fonte - Por Reinaldo Azevedo

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Bebês abandonados por adolescentes viciadas em crack preocupam autoridades do Rio

Bebês abandonados por adolescentes viciadas em crack preocupam autoridades do Rio

DA AGÊNCIA BRASIL

A quantidade de bebês recém-nascidos abandonados por mães dependentes de crack preocupa autoridades e especialistas no Rio de Janeiro. Mensalmente a 1ª. Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da capital fluminense recebe ao menos 80 pedidos de audiência para medida protetiva de abrigamento a recém-nascidos.
"É uma coisa terrível e seríssima" lamentou a titular da vara, Ivone Caetano. "Tenho agendados, no mínimo, três a quatro bebês saídos dos hospitais, por dia, na minha vara. Fora os casos não agendados. E o crack contribuiu muito para isso", disse a juíza.

A chefe-geral do Serviço de Assistência Social do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), na zona norte, Dayse Carvalho, contou que a maternidade envia semanalmente para a Vara da Infância e da Adolescência da região até três recém-nascidos. Algumas mães passam mais de uma vez pelo hospital.

"Desde 2002 temos visto um crescente dessas mães usuárias de drogas. Naquela época levávamos um bebê para a vara a cada três meses ou mais. De 2010 para cá, esse número tem variado entre dois e três bebês semanalmente", contou a médica. Dayse Carvalho ressaltou que as mães não abandonam efetivamente os bebês mas se mostram, na maioria das vezes, incapazes de cuidar da criança. "Muitas choram quando perdem a guarda", lamentou ela.
Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na quinta-feira (19), aponta que cerca de 10% das mulheres usuárias de crack relataram aos entrevistadores estar grávidas e mais da metade já haviam engravidado ao menos uma vez depois que começaram a usar a droga. 

Bebês abandonados por adolescentes viciadas em crack preocupam autoridades do Rio
Dayse disse que a nova realidade da maternidade e da pediatria do hospital demandou a busca de parcerias. Uma das medidas tomadas foi o trabalho Amar, de acompanhamento pediátrico dessas crianças, além de uma parceria que está sendo costurada com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), também da Uerj.

A diretora do Nepad, Ivone Ponczek, explicou que a ideia do projeto é tentar atrair essas mães para que façam pré-natal e trabalhar o vínculo da mãe com o bebê para que as mulheres não desistam da criança. "São, em geral, meninas completamente despreparadas para a maternidade, que não tiveram mães, então a questão do vínculo e da maternidade é muito complicado para elas", explicou a psicanalista.

"Algumas não têm o menor conhecimento do corpo, não sabem o que é pulmão, não sabem nem a relação de causa e efeito entre o relacionamento sexual e a gravidez", explicou ela, que defendeu ações socioeducativas e doação de preservativos para esse público como medida preventiva de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.

O Nepad desenvolve há 28 anos pesquisas e trabalhos terapêuticos voltados para dependentes de todos os tipos de droga, com exceção do álcool. Entretanto, segundo Ponczec, o crack é a principal droga entre os dependentes atendidos no local.
"Estamos muito impactados, pois nunca pensamos que teríamos que lidar com bebês, crianças, essa relação da mãe com o bebê. Estamos, inclusive, criando um setor com espaço para a amamentação e para brinquedos. Recebemos grávidas, mães com bebês, mesmo crianças, com 6, 7 anos, já usuárias de crack", lamentou a especialista.

A especialista alertou que a situação é grave e pede atenção e esforços por parte das autoridades e da sociedade. "Se não houver intervenção, há o risco de uma continuação do quadro, de mais bebês na rua, abandonados, reproduzindo a mesma história", avaliou Ponzcek.
O psiquiatra do Nepad, Paulo Telles, explicou que o crack estimula o sexo para a obtenção de drogas, além de ser consumido em grande parte por adolescentes e pessoas muito jovens. "Quanto mais drogas se usa, menos prevenção se faz durante o sexo. São pessoas que não se cuidam e, provavelmente, não vão cuidar de filhos", lamentou ele. O médico informou que no Nepad, que o percentual de mulheres entre os usuários de crack é maior do que entre os usuários de outras drogas. 

Fonte - Folha de São Paulo


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Análise: Se tiver alternativa, viciado é capaz de preterir a droga

Análise: Se tiver alternativa, viciado é capaz de preterir a droga

 
FERNANDA MENA
DE SÃO PAULO


Análise: Se tiver alternativa, viciado é capaz de preterir a droga
A pesquisa da Fiocruz sobre o consumo do crack contesta algumas premissas do atual PLC 37/2013, projeto de lei de autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS) que altera a lei de drogas no país.
A primeira diz respeito ao número de usuários no país: os autores estimam em pouco mais de 700 mil, contra estimativas anteriores de mais de 1 milhão, o que justificaria medidas urgentes.

O segundo toca a proposta de internação compulsória: pelo estudo, 78,9% dos usuários já desejam o tratamento. 

Mas há ainda uma pesquisa do neurocientista americano Carl Hart, da Universidade Columbia, em Nova York, que quebra outros paradigmas sobre usuários da droga.
Hart recrutou dependentes com anúncios no periódico "Village Voice" e selecionou quem topasse viver num hospital por algumas semanas.
Toda manhã, os voluntários recebiam uma dose --ora farta, ora modesta-- da droga. E, ao longo do dia, a mesma dose era ofertada ao lado de alternativas como dinheiro ou cupons de compras.

Quando a dose era farta, eles tendiam a escolher a droga. Quando a dose era menor, a tendência se invertia e eles escolhiam dinheiro ou cupom.
Ou seja, quando havia alternativas ao crack, usuários faziam escolhas economicamente racionais, não impulsivas. O experimento sugere que dependentes de crack não perdem a capacidade de fazer escolhas nem veem a droga como algo irresistível.
Para Hart, que analisa esses dados no livro "High Price" (Harper Collins), crucial é o papel do ambiente no uso do crack: sem alternativas, a droga seria muito atraente. 

O estudo da Fiocruz aponta que 40% dos usuários brasileiros estavam em situação de rua, 30% começou a usar a droga após problemas familiares e 9% porque tinha uma vida sem perspectivas.
Se as evidências de Hart estiverem certas, a chave para tratá-los pode estar aí.

Fonte - Folha de São Paulo

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