• Maconha faz mal?

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Cultivando o Amor que Agradece

Cultivando o Amor que Agradece

Cultivando o Amor que Agradece


Amor é o vocábulo mais importante em qualquer idioma — e também o que mais gera confusão! Pensadores, tanto seculares quanto religiosos, concordam que este sentimento ocupa um papel central em nossa vida. Diz-se que “o amor é uma coisa esplendorosa” e “o amor faz o mundo girar”. Milhares de livros, músicas, revistas e filmes existem pela inspiração dessa palavra. Inúmeros sistemas filosóficos e te¬ológicos estabeleceram um lugar de destaque para esse sen-timento. E o fundador da fé cristã coloca o amor como a característica que deve distinguir seus seguidores.1
Psicólogos concluíram que sentir-se amado é a principal necessidade do ser humano. Por amor, subimos montanhas, atravessamos mares, cruzamos desertos e enfrentamos todo tipo de adversidade. Sem amor, montanhas tornam-se insuperáveis, mares intransponíveis, desertos insuportáveis e dificuldades avolumam-se pela vida afora. O apóstolo dos gentios, Paulo, exaltou o amor ao afirmar que qualquer ato hu-mano não motivado por esse sentimento é em si vazio e sem significado. Concluiu que na última cena do drama humano, somente três características permanecerão: “fé, esperança e amor. Porém, a maior delas, é o amor”.2
Se concordarmos que a palavra amor permeia a sociedade humana, tanto no passado, como no presente, deve¬mos admitir que também é uma das mais confusas. Nós a utilizamos em milhares de formas. Dizemos: “Eu amo cachorro quente!” e, numa outra frase: “Eu amo minha mãe!” Nós a usamos para descrever atividades que apreciamos: nadar, patinar e caçar. Amamos objetos: comida, carros e casas. Amamos animais: cachorros, gatos e até tartarugas. Ama¬mos a natureza: árvores, grama, flores e estações. Amamos pessoas: mãe, pai, filhos, esposas, maridos e amigos. Chega¬mos até a nos apaixonar pelo próprio amor.
Como se isso tudo não fosse suficientemente confuso, também usamos a palavra amor para explicar determinados comportamentos: “Agi dessa forma porque a amo”. Essa ex¬plicação muitas vezes é dada como desculpa. Um homem que se envolve em adultério chama esse relacionamento de amor. O pastor, por sua vez, chama-o de pecado. A esposa de um alcoólatra recolhe os “pedaços” após o último “episódio” de seu marido. Ela chama essa atitude de amor; os psiquiatras, porém, tratam-na como co-dependente. Um pai que atende a todos os desejos de seu filho também chama essa atitude de amor. Um terapeuta familiar chamaria de paternidade irresponsável. O que é um comportamento amoroso?
O propósito deste livro não é o de desfazer a confusão que gira em torno deste sublime sentimento, mas focalizar aquele tipo de amor que é essencial a nossa saúde emocio¬nal. Psicólogos infantis afirmam que toda criança possui necessidades emocionais básicas que devem ser supridas para que se possa atingir uma estabilidade emocional. Entre elas, nenhuma é tão essencial quanto o amor, a afeição e a necessidade de alguém sentir que pertence a outro e é querido. Com um suprimento adequado de afeição, uma criança tornar-se-á um adulto responsável. Sem esse amor essencial, ele ou ela ficará emocional e socialmente atrofiado.
Logo que ouvi a metáfora que cito a seguir, gostei mui¬to dela: “Dentro de cada criança há um ‘tanque emocional’ esperando para ser cheio com o amor. Se ela se sentir amada, desenvolver-se-á normalmente; porém, se seu “tanque de amor” estiver vazio, ela apresentará muitas dificuldades. Diversos dos problemas de comportamento de uma criança provêm do fato de seu ‘tanque de amor’ estar vazio”. Essa metáfora foi dada pelo Dr. Ross Campbell, um psiquiatra que se especializou no tratamento de crianças e adolescentes.
Enquanto eu o ouvia falar, pensei nas centenas de pais que, em meu escritório, desfilavam as inúmeras reclamações sobre seus filhos. Até então, eu nunca pensara em uma cri¬ança daquelas como um “tanque de amor” vazio, mas sem dúvida via os resultados dessa situação. Os problemas de comportamento apresentados eram uma forma de procurar o amor que não recebiam. Eles buscavam o amor nos lugares e nas formas erradas.
Lembrei-me de Ashley que aos treze anos de idade cuidava de uma doença sexualmente transmissível. Seus pais estavam chocados. Ficaram “uma fera” com a filha e também muito bravos com a escola, a qual culpavam por ensi¬narem sobre sexo. “Por que é que ela teve de fazer o que fez?”, perguntavam.
No âmago da existência do ser humano encontra-se o desejo de intimidade e de ser amado.
O casamento foi idealizado para suprir essas necessidades. Em minha conversa com Ashley, ela me falou do divórcio de seus pais quando tinha apenas seis anos de idade.
“Eu pensei que meu pai tinha ido embora porque não gostava de mim! Quando minha mãe casou-se novamente eu estava com dez anos de idade. Então pensei que ela já tinha quem a amasse, e eu não possuía ninguém. Eu desejava tanto ser amada por alguém! E então conheci esse garoto lá na escola. Ele era bem mais velho, mas gostava de mim! Eu não conseguia acreditar! Ele era muito gentil comigo e, por um tempo, acreditei que ele realmente gostava de mim. Eu não queria fazer sexo, mas desejava desesperadamente ser amada!”
O “tanque de amor” de Ashley ficou vazio durante muitos anos. Sua mãe e seu padrasto providenciavam tudo que ela necessitava em termos materiais, mas não perceberam a enorme carência emocional que havia dentro dela. Eles certamente a amavam e achavam que ela se sentia amada por eles. Já era quase tarde demais quando descobriram que não falavam a primeira linguagem do amor de Ashley.
A necessidade de alguém ser amado emocionalmente, no entanto, não é uma característica unicamente infantil. Ela nos segue pela vida adulta; inclusive no casamento. Quando nos apaixonamos, temporariamente essa necessidade é suprida, mas ela se torna um “quebra-galho” e, como acabamos descobrindo mais tarde, com duração limitada e até pre¬vista. Após despencarmos dos píncaros da paixão, a necessidade emocional de ser amado ressurge porque é inerente à nossa natureza. Está no centro de nossos desejos emocionais. Precisamos do amor antes de nos apaixonar e continuare¬mos a necessitar dele enquanto vivermos.
A necessidade de sermos amados por nosso cônjuge está na essência dos anseios conjugais. Recentemente certo cidadão me disse:
“De que adianta ter mansão, carros, casa na praia e tudo o mais, se sua esposa não o ama?!”
Dá para entender o que ele realmente desejava dizer? Era:
“Mais do que tudo, eu desejo ser amado por minha es¬posa!”
As coisas materiais não podem substituir o amor humano e emocional. Uma esposa disse, certa vez:
“Ele me ignora o dia inteirinho, mas à noite quer fazer sexo comigo. Eu odeio isso!”
Ela não odeia sexo, mas precisa desesperadamente do amor emocional.
Alguma coisa em nossa natureza clama por ser amado ou amada. O isolamento é devastador para a psique huma¬na. E por esse motivo que o confinamento é considerado a mais cruel das punições. No âmago da nossa existência há o íntimo desejo de sermos amados. O casamento foi idealizado para atingir essa necessidade de intimidade e de amor. Por esse motivo os antigos registros bíblicos dizem que o homem e a mulher tornam-se uma só carne. Isso não significa que as pessoas perderão suas identidades; quer dizer que ambos entrarão nas vidas um do outro, de forma íntima e profunda. O Novo Testamento desafia os maridos e as espo¬sas a amarem-se mutuamente. De Platão a Peck os escritores têm enfatizado a importância do amor no casamento.
No entanto, esse amor que é tão importante, também é “escorregadio”. Tenho ouvido a confissão de muitos casais contando suas queixas secretas. Alguns chegam a mim porque a dor interior tornou-se praticamente insuportável. Outros, porque percebem que o comportamento que assumem perante as falhas do cônjuge poderá levar o casamento à destruição. Há também os que simplesmente vêm para falar que não querem mais continuar casados. Seus sonhos de “vive-rem felizes para sempre” espatifaram-se contra o duro muro da realidade. Repetidas vezes ouço as palavras:
“Nosso amor terminou. O relacionamento morreu. Sentíamo-nos próximos um do outro, mas agora isso não existe mais. Não apreciamos mais ficar juntos. Não nos completamos mais um ao outro.”
Essas histórias testificam que tanto os adultos como as crianças possuem “tanques de amor”.
Será que lá no interior de cada um desses casais machucados existe um indicador invisível de um “tanque” vazio? Será que esses comportamentos inadequados, separações, palavras duras e espírito crítico acontecem devido a esse “tanque” vazio? Se pudermos achar uma forma de enchê-lo, será que o casamento renasceria? O “tanque” cheio possibilitaria que os casais criassem um clima emocional onde seria possível discutir as diferenças e resolver os conflitos? Será que esse “tanque” é a chave para que um casamento perdure?
Essas perguntas levaram-me a uma longa viagem. Em plena estrada descobri os simples, porém poderosos pontos de vista registrados neste livro. Essa caminhada levou-me não somente através de mais de vinte anos de aconselhamento conjugal, mas também às mentes e corações de centenas de casais através da América do Norte. De Seattle a Miami, fui convidado a adentrar no recôndito do casamento de vários casais e conversamos francamente. As histórias apresentadas neste livro foram retiradas da vida real. Nomes e lugares foram trocados para proteger a privacidade das pessoas que falaram com toda a liberdade.
Estou convencido de que manter cheio o “tanque de amor” do casamento é tão importante quanto manter o nível do óleo em um automóvel. Levar um casamento com o “tanque de amor” vazio pode ser até mais difícil do que tentar dirigir um carro sem combustível. O que você descobrirá nesta obra tem o potencial para salvar milhares de casamentos, podendo também melhorar o clima emocional de um matrimônio que já esteja indo bem. Qualquer que seja a qua¬lidade de seu casamento, sempre pode melhorar.
ADVERTÊNCIA: Compreender os cinco idiomas do amor e aprender a falar a primeira linguagem do amor de seu cônjuge pode alterar completamente o comportamento dele. As pessoas relacionam-se de forma diferente quando seu “tanque de amor” está cheio.
Antes de examinarmos as cinco linguagens do amor, precisamos abordar um outro importante, porém confuso fenômeno: A eufórica experiência de apaixonar-se.

Notas
1.  João 13.35
2.  1 Coríntios 13.13



Trecho retirado do livro de Gary Chapman - As cinco linguagens do amor, um livro muito bom, onde pode-se visualizar, qual o papel de cada um, em um relacionamento, e o quanto este papel pode ser saudável.

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Vídeo - Droga "Krokodil" - Flagelo da Europa Oriental

Vídeo - Droga "Krokodil" - Flagelo da Europa Oriental

AVISO IMPORTANTE ! As Imagens São Fortes.


Esta é uma nova droga, que assola o leste europeu.  

A droga é uma alternativa barata à heroína. Porém, ela causa necrose no local onde é aplicada, expondo ossos e músculos. Uma droga barata, que está sendo consumida por um número cada vez maior de pessoas e tem efeitos colaterais horríveis e devastadores. Essa é a krokodil (que em russo significa crocodilo), uma alternativa ao uso da heroína que está fazendo vítimas por toda a Rússia.  O nome vem de uma das consequências mais comuns ao uso, a pele da pessoa passa a ter um tom esverdeado e cheia de escamas, como a de um crocodilo. Ela é a desomorfina, um opióide 8 a 10 vezes mais potente que a morfina. O problema maior nesta droga russa é a maneira como o produto é feito. O krokodil é feito a partir da codeína, um analgésico opióide que pode ser comprado em qualquer farmácia russa sem receita médica, assim como acontece com analgésicos mais fracos no Brasil. A pessoa sintetiza a droga em uma cozinha usando produtos como gasolina, solvente, ácido hidroclorídrico, iodo e fósforo vermelho, que é obtido de caixas de fósforo comuns, além dos comprimidos de codeína.

Logicamente nenhum destes ingredientes é ideal e o produto final não é nem um pouco puro, mas o resultado para o usuário é satisfatório. A consequência de se colocar tantos produtos químicos na veia é a irritação da pele, que com pouco tempo passa a ter uma aparência escamosa. A área onde o krokodil é injetado começa a gangrenar, depois a pele começa a cair até expor os músculos e ossos. Casos de viciados precisando de amputação ou da limpeza de grandes áreas apodrecidas em seus corpos são cada vez mais comuns em salas de emergência dos hospitais daquele país. A dificuldade em se combater o uso desta droga está na pouca ajuda que o governo dá a centros de reabilitação e na grande facilidade na produção, afinal basta uma cozinha e o conhecimento de como se “cozinhar” o produto. Largar o krokodil pode ser uma tarefa extremamente difícil. A desintoxicação é muito lenta e o usuário sente náuseas e dores por até um mês, sendo que conseguir uma nova dose é muito fácil. Sequelas físicas e mentais do uso contínuo do krokodil podem ficar para sempre.
O krokodil pode acabar matando o usuário recorrente em mais ou menos 2 anos e são raros os casos de pessoas que se livraram do vício. A migração deles de uma droga para outra é explicada pelo valor da dose. Cada uso de heroína pode custar na Rússia 150 Dólares (270 Reais), já o krokodil custa em média 8 Dólares (aproximadamente 14 Reais). Um problema na alternativa mais barata é a duração dos efeitos, que são muito menores. Enquanto os efeitos da heroína podem durar 8 horas, o krokodil dura com sorte 90 minutos. Como produzir a droga leva mais ou menos uma hora, a pessoa passa a viver apenas para produzir e injetar.
No Brasil, a codeína é vendida apenas com receita médica, mas na Rússia o produto é o analgésico mais popular do país. Usada por praticamente a metade da população, ela é responsável por cerca de 25% do lucro de algumas farmácias. Por este motivo a indústria farmacêutica e os empresários do ramo lutam para que o governo não torne a droga restrita à venda com prescrição. Outros países onde a codeína é vendida sem receita são o Canadá, Israel, Austrália, França e Japão. Neles existe um grande risco do krokodil se tornar uma epidemia como a que atinge atualmente a Rússia.



 

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Partilha membro fundador N.A. - Jimmy K.

Partilha membro fundador N.A. - Jimmy K.
QUEM FOI JIMMY K.?

Juntamente com Frank e Doris C, Guildia K, Paul R, Steve R e outros,
Jimmy K fundaram Narcóticos Anônimos, no sul da Califórnia. A partir de 17 de agosto de 1953, esses companheiros realizaram uma série se reuniões, a fim de organizar o que se chamava então de "Narcóticos Anônimos e Alcoólicos Anônimos do Vale de San Fernando". A primeira reunião de recuperação documentada aconteceu no sul da Califórnia, a 5 de outubro de 1953.

Por diversas razões, Jimmy K é considerado uma figura chave da história de NA. Escreveu diversas partes do Livreto Branco, sendo a mais famosa o "Fim da Linha". Desenhou o logotipo de NA (mais tarde modificado pela WSC). Prestou serviço como gerente voluntário do WSO, desde os seus primórdios até 1983.

Jimmy K viveu de 1911 a 1985. Os últimos 36 anos da sua vida ele viveu como membro de Narcóticos Anônimos, limpo e em recuperação.

PARTILHA DE JIMMY K. NO JANTAR DO 20º ANIVERSÁRIO DE N.A.


Los Angeles, 18 de Agosto de 1973.

O meu nome é Jimmy Kinnon, sou um adicto e um alcoólico. Há já uma hora que estou à beira das lágrimas. Mas hoje já não envergonho de chorar, desde que sejam vertidas por algo que valha a pena. Já nem me lembro do que queria dizer. Na nossa irmandade não podemos, todavia, perder de vista o nosso principal propósito: quer estejamos num ambiente social em nossas próprias casas, ou num encontro como este. Aquilo de que tenho de lembrar-me, pessoalmente, é de que estou aqui graças a pessoas que nunca aqui estarão. O recém-chegado constitui o sangue vital desta organização; sempre o foi, sempre o será. Aqueles a quem chamamos Servidores de Confiança de Narcóticos Anônimos, alguém que aceita um cargo (quer seja secretário de um grupo, representante de um grupo, "trustee", ou qualquer outra coisa) deve preparar-se para bastante trabalho, muitas críticas, e muito daquilo que acontece sempre. Mas nós temos de crescer, e os nossos ombros ficam suficientemente largos para agüentarem estas coisas, pois a vida que nos é dada faz com que tudo valha a pena. Se não tivesse sentido e não valesse a pena, eu não estaria aqui esta noite. Se este programa não me elevasse, não me levasse mais longe, e não me fizesse sentir melhor do que alguma coisa alguma vez conseguiu na minha vida, eu não estaria aqui. Tenho a certeza disso! Estou aqui sentado nesta cadeira - sempre admirei estas cadeiras e nunca pensei poder vir a sentar-me numa.

Mas primeiro as primeiras coisas, dizem - sabem, isto é parte de um sonho tornado realidade; e um sonho prenuncia grandes mudanças, mas o progresso requer pequenas ações. Um sonho não se torna realidade devido a um grupo de pessoas, ou a um homem, ou a dois homens, ou a três homens. Torna-se realidade porque nele trabalham muitas pessoas, porque muitas pessoas põem nele esforço, porque muitas pessoas compram a idéia e levam-na por diante. Essa é uma das razões porque estamos aqui.

A maioria de vocês reparou numas fotos ali penduradas. São algumas das fotografias dos nossos primórdios. Nós começamos muito antes de NA se tornar uma realidade, mesmo em nome. Surgimos de uma necessidade. Aqueles de nós que eram membros, tinham vindo para o AA - e descobrimos que podíamos recuperar. Em AA descobrimos que muitos adictos continuavam a seguir o trilho da degradação e da morte. E achamos que deveríamos fazer algo. Mas, sabemos, nós somos pessoas engraçadas, quanto mais coisas tentamos fazer juntos, mais lutamos uns com os outros e mais nos magoamos uns aos outros, destruindo justamente aquilo que tentamos construir. E essa tem sido a história de Narcóticos Anônimos até há bem poucos anos. Destruíamos ao mesmo ritmo a que construíamos. Nós somos pessoas assim e precisamos de reconhecer isso para podermos recuperar. Todos nós devemos conhecer a natureza da doença, a natureza do adicto, e a natureza da recuperação. Todas essas coisas são necessárias para crescer, e para viver, e para mudar. E nós começamos com ressentimentos; os ressentimentos fizeram-nos crescer. Antes de NA havia os GDFH, os Grupos de Drogas Formadoras de Habituação. Estes eram clandestinos, havia duas ou três pessoas que se reuniam em apartamentos, aqui e ali. Ninguém sabia onde ficavam, e eram dominados por uma ou duas pessoas. Nós não apreciamos grandemente a autoridade, não gostamos dela. Algumas das pessoas que eu conhecia da rua, da parte oriental de NA, formaram um outro grupo conhecido por Adictos Anônimos. Infringiram no nome de AA e morreram muito depressa pois estavam demasiado dominados por um só indivíduo. Um outro grupo começou no vale (San Fernando Valley) que também se chamava GDFH e era dominado por um indivíduo. Por isso descobrimos muito cedo, e a nossa experiência ensinou-nos que não podemos ter pessoas a mandarem, tipos importantes em Narcóticos Anônimos. Durante uns tempos depois de nos formarmos - há muita coisa que se passou de que não vou falar esta noite - mas devido a algumas coisas que aconteceram, e à natureza do adicto, a natureza da nossa doença, algumas pessoas foram colocadas numa posição em que voltaram a ser líderes, o Grande Pai Branco. Sabem, nós não podemos ter um Grande Pai Branco ou uma Grande Mãe, isso não funciona nesta organização. E NA morreu mais uma vez, e os nossos amigos em AA ajudaram-nos a levantar-nos, e disseram-nos, "Não deixem que isso vos incomode." Esses eram os nossos verdadeiros amigos no início; membros de AA que acreditavam em nós, membros de AA que tinham também um duplo problema e reconheciam isso - vieram e ajudaram-nos a começar de novo. Mas isso voltou a acontecer. Uma pessoa tentava dominar todo o movimento. E sempre que acontecia nós começávamos a morrer. Porque as Tradições vão pelo cano abaixo quando tentamos isso. E uma das primeiras coisas que dissemos quando nos reunimos como grupo naquela casa, a prioridade número um, era que acreditávamos que este programa de 12 passos iria funcionar para adictos bem como para alcoólicos. Em segundo lugar, as Tradições deverão ser observadas se quisermos crescer, crescer como irmandade que se mantém de pé sozinha, sem a ajuda de Alcoólicos Anônimos. Podíamos tomar o nosso lugar enquanto irmandade, e não sermos dominados ou afiliados a nada nem a ninguém. E dissemos que iríamos manter uma sala aberta durante pelo menos 2 anos, e se nesse período um ou dois adictos mostrassem que este programa resultava para eles, teríamos achado que havia valido a pena. Foi basicamente assim que começamos. Mas discutimos durante cerca de seis semanas antes de pôr aquelas orientações no papel, e depois não as quisemos. Eu achei que quanto mais cedo nos víssemos livres das orientações, tanto melhor; pois as orientações contidas nas Tradições são suficientes para aquilo que precisamos de fazer. As Tradições irão salvar-nos de nós próprios. E é isso que é tão necessário para uma irmandade como a nossa. Deste lado fica a vida - o outro caminho é a morte, tal como a conhecemos. Mas como é difícil não voltarmos atrás! Tão difícil que é!!!

O primeiro assunto pendente que tínhamos quando nos juntamos era o nome. Eu fui o primeiro Coordenador daquilo que então se chamava - uh - nada. AANA, era assim que se chamava, e eu disse, "Não podemos fazer isso". Vocês elegeram-me vosso coordenador, temos de arranjar outro nome, não podemos chamar-nos AANA ou NAAA. E o Comitê que me elegeu coordenador vetou imediatamente aquilo que eu disse. Bem, é uma boa maneira de se começar. Na primeira noite vetaram tudo aquilo que eu disse, por isso eu achei que tinha começado muito bem. Eu não ia aturar chatices deste tipos. Eles iam acabar por descobrir aquilo que estava certo. E por isso o primeiro assunto pendente foi contactar Alcoólicos Anônimos para ver se podíamos usar o seu nome; e assim descobrimos que não podíamos. Por isso eu obtive, pelo menos, a satisfação de estar certo quanto à primeira coisa que foi vetada. Isso fez-me sentir um pouco melhor, porque vos digo, eu consigo as coisas à minha maneira a maior parte das vezes. Sei que vocês reconhecem isso, porque o mesmo se passa convosco. Somos assim. Mas tivemos muitos problemas da primeira vez que nos juntamos; porque eu sou como vocês e vocês são como eu. Vocês vão ter de me mostrar que aquilo de que falam irá funcionar, ou eu não vos apoiarei. E graças a Deus que somos assim. Acho que é isso que acaba por fazer este programa resultar. Foi muito difícil encontrar um local para nos reunirmos; depois de nos juntarmos e de decidirmos o que fazer. Não conseguíamos encontrar uma sala para nos reunirmos. Ninguém nos queria. Não confiavam em nós de nenhuma forma. E é triste irmos de um sítio para outro quando se tem algo de real a construir e ninguém nos deixa usar uma sala. Por fim acabamos por encontrar uma sala do Exército de Salvação e eles deixaram-nos utilizá-la por cinco dólares por mês. Isso foi bastante bom, mas não havia lá mais nada. Havia uma pia e um lavatório, e era tudo. Não havia uma cozinha, por isso tivemos de ir comprar um pequeno fogão elétrico e uma cafeteira, e algumas canecas - que eu ainda guardo em casa. Encontrei-as esta semana - tive-as ao longo de todos estes anos. Costumávamos dá-las uns aos outros, pois numa semana podíamos reunirmo-nos lá em casa, e na semana seguinte noutra casa. Por isso levávamos as canecas para podermos beber café. Nessa altura, éramos poucos a ter mais do que duas canecas em casa; na verdade, éramos poucos a trabalhar. As coisas eram assim. Aqui, vêem um recorte do anúncio que publicamos num jornal a informar da nossa existência. Tínhamos uma sala, tínhamos um conjunto de orientações, e tínhamos um propósito.

Aquele primeiro grupo pode já não existir, mas nós ainda estamos vivos. A sala do Exército de Salvação ainda está lá - é agora uma igreja espanhola. Depois tivemos aquilo que chamávamos "reuniões coelho", pois nunca sabíamos onde iriam ter lugar. Se hoje havia 5 ou 6 de nós numa reunião, decidíamos em casa de quem iríamos ter a reunião seguinte. E levávamos as canecas e as tigelas de açúcar e as leituras e reuniamo-nos lá. Não era que nós temêssemos as autoridades, mas os recém-chegados temiam. Fiz um cartaz e afixei-o na porta da igreja, dizia reunião de NA hoje às 20h30. E depois abríamos as portas e tínhamos uma dúzia de alcoólicos que vinham ajudar-nos. E depois havia um carro que se aproximava devagar e olhavam para o cartaz e fugiam. Ninguém confiava em ninguém - eles achavam que estávamos sob vigilância. Não acreditavam quando lhes dizíamos que não. E nós próprios acabávamos por não estar muito seguros de não estarmos. Pois como grupo decidimos que não iríamos ter problema com as autoridades e fomos até à Divisão de Narcóticos e dissemos-lhes, não lhes perguntamos, dissemos-lhes que íamos realizar uma reunião de adictos. E eles levantaram as sobrancelhas, mas nós éramos cinco. Um tipo lá, já não me lembro se era tenente ou capitão, ouviu-nos e disse, "Já não era sem tempo que isto acontecesse. Há anos que tento ajudar adictos, sem conseguir. Eu não consigo ajudar ninguém" E ele chamou um outro tenente para nos ouvir. E ele era um pouco antiquado que tinha a certeza que nenhum de nós conseguia recuperar. E ele ouvia o outro dizer, "Gosto desta idéia". "Apoio esta iniciativa". "Farei tudo o que possa para vos apoiar." Todo ele era apoio. E acabou por manter a sua palavra. E perguntou a este tenente o que achava, ao que ele respondeu, "Isso não vai resultar, uma vez drogado, sempre drogado. Nunca houve nenhum a ficar melhor. Não me importa o que digas, não me importa o que estas pessoas digam, isto não vai resultar".Por isso olhou para nós e eu não sabia o que dizer. Olhei para os outros, ninguém sabia o que dizer, até que o Pat, que estivera sempre calado, abriu a boca e disse, "Tenente, o meu nome é fulano de tal, nasci e cresci em tal sítio, fui pela primeira vez preso em tal sítio, e fui condenado a tantos anos. E gostaria, por isso, que fosse confirmar o meu cadastro. Já estive em todas as penitenciárias federais do país, exceto uma. E não uso drogas há 18 anos. Há 18 anos que não conheço as cadeias. E este programa resulta para mim. Agora o senhor vá confirmar isso, pois eu nunca estive fora da prisão desde miúdo até ter encontrado este programa.." E o tipo não sabia o que dizer. Não sei se o tipo foi confirmar tudo isto, mas a verdade é que o departamento da polícia e a Divisão de Narcóticos mantiveram a sua palavra. E nunca nos vigiaram, nunca fizeram nenhuma rusga, nunca nos apanharam a ir ou a vir de reuniões. E, pelo nosso lado, mantivemos a nossa palavra, tomamos conta de nós próprios e seguimos as Tradições o melhor que pudemos. E foi basicamente isso que nos fez crescer nos últimos doze anos. Foi em 1960 que voltamos a nascer, com cerca de quatro pessoas. E começamos o grupo de novo de acordo com o conceito original; os Passos para o indivíduo e as Tradições para os grupos. E desde então temos crescido devagar mas consistentemente. Acho que temos crescido principalmente porque não temos sido dominados por nenhum grupo de pessoas. Essa é a principal razão para a grande diferença. Mais o fato de cada vez mais adictos conhecerem o valor da prática dos 12 Passos. Costumávamos não ter adictos para responderem a chamadas de ajuda. Aconteciam coisas estranhas, quando 8 a 10 adictos num grupo caíam sobre um pobre drogado que estava a morrer num quarto dos fundos em casa da sua mãe. E caíamos sobre ele como vespas. Toda a gente apanhava um susto - tínhamos de ir em grupos porque ninguém ia sozinho ou aos pares. Tínhamos todos medo de ir usar se fossemos ter com outro adicto. Esse era outro dos mitos que havia sobre nós - que não podíamos ir ter com outra pessoa que estivesse a usar, sem que usássemos também. Uma das maiores mentiras de todos os tempos. Sabem que não tem uma ponta de verdade. E essa é uma das razões porque crescemos. Mais o fato de nós seguirmos, possivelmente, a melhor coisa que qualquer um de nós sabe fazer, estarmos dispostos a ouvir.

Uma vez demiti-me de coordenador de NA por não estarmos a seguir as Tradições. É uma coisa estranha. Não queria falar disto esta noite, mas vou mesmo falar. Pois embora passados quatro anos com reuniões, Narcóticos Anônimos ainda não existia. Como tínhamos dito que nos chamaríamos NA enquanto usássemos os Passos e as Tradições, quando isto se tornou na coutada de um só indivíduo, na realidade deixou de haver NA. Digo isto por duas razões; porque as coisas morreram e só ficaram alguns de nós, mas também porque mostra que este programa, quando começamos a vivê-lo, não podemos largá-lo, pois ele volta a crescer. Este programa não vai morrer, mesmo que todos nós nesta sala falhássemos, pois essa é a própria natureza da recuperação: que uma vez plantada a semente do conhecimento de que algo pode resultar, essa semente nunca mais irá perder-se. Alguém pegará nela e continuará o caminho. O nosso percurso já é longo. Como diz aquele anúncio de cigarros, "O teu caminho já é longo, querida, para teres chegado onde chegaste."

E acho que vou ficar por aqui, pois já estou a levitar, estou quase a bater no teto. Nós estamos a crescer mais depressa do que nunca. Estamos em mais estados, em mais países, e existem mais oportunidades para cada um de nós encontrar o seu lugar em Narcóticos Anônimos e transmitir a mensagem de recuperação a adictos em todo o mundo. Já não é possível restringirmo-nos à Califórnia ou aos Estados Unidos. Mas são precisas todas as nossas forças para nos mantermos neste programa. Não é um programa para quem desista logo. Mas se formos adictos nós não desistiremos assim sem mais nem menos, sem não estaríamos aqui. Vamos pegar naquilo que temos e tornarmo-nos pessoas melhores. Tenho dito muitas vezes que um homem sem um sonho é só metade de um homem, e uma irmandade sem uma visão é uma farsa. E ainda acredito que podemos realizarmo-nos vivendo um dia de cada vez. E um dia de cada vez a nossa visão e a nossa Irmandade podem tornar-se uma realidade maior. São aquilo por que ainda me interesso. Há dois anos, numa convenção, disse que enquanto fosse vivo usaria a minha voz e todas as minhas forças para prosseguir os objetivos de Narcóticos Anônimos e dessa outra irmandade maravilhosa a que pertenço, Alcoólicos Anônimos. E tenciono fazer isso. Mas vai exigir tudo de mim, e vai exigir tudo de vocês, e de todos aqueles com quem falarem e de todos aqueles a quem transmitirem a mensagem, para tornar isto uma realidade maior. Há pessoas por todo o mundo a morrerem da nossa doença e, quer acreditemos ou não, somos os únicos que podem verdadeiramente ajudá-los. Não nos esqueçamos disso. Através da nossa doença foi-nos dado - através do sofrimento - um talento para ajudar outros seres humanos como nós. Não nos esqueçamos que a temos e que somos responsáveis perante outros. Mas devemos principalmente ser responsáveis perante nós próprios e - eu raramente falo sobre Poderes Superiores, o conceito particular que eu tenho de um Poder Superior, mas acreditem que tenho um. E não sei quantas pessoas estão aqui hoje, 100, 110, 112, mas acima de todos nós, e através de todos nós, existe um poder que não há em mais nenhum lugar do mundo. É disso que se trata Narcóticos Anônimos. É disso que sempre irá tratar-se. E não estou a brincar - este é um programa de vida e de viver. Mas já estou sério há demasiado tempo e espero que nos divirtamos todos esta noite, pois é disso que se trata viver.

Muito obrigado.

JIMMY


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Estatísticas: Drogas Causadoras de Internação em Instituições

Estatísticas: Drogas Causadoras de Internação em Instituições



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No ano de 2010, trabalhava como auxiliar administrativo, na sede do Instituto Provita, Projeto Vida Itapema, Santa Catarina, cuja CT fica há 8 km, na localidade do Areal, mesma cidade. Dentre as funções que exercia na sede, uma delas era a Triagem do Residente, antes de sua entrada na CT. Como já estava há um bom tempo na Instituição, e até anteriormente, havia trabalhado como monitor, na CT desta mesma Instituição, já tinha um conhecimento parcial, acerca das estatísticas, ou seja, quais eram as drogas causadoras, ou provocadoras das internações. Pode-se observar, a palavra causadora. Esta palavra nos diz, que muitos, dos residentes, haviam por exemplo, iniciado o uso em outras drogas, álcool, maconha, e analisando caso a caso, pode se até perceber, que, até conhecerem o crack, levam suas vidas, com certo "equilíbrio", se pode se chamar assim, pois nenhum usuário de drogas, pode ter uma vida equilibrada, mas digo no sentido de que, a "destruição" pessoal, e familiar, ainda não era aparente. Nota-se que 70 % das internações, eram de DQ vindos do crack, em segundo lugar o álcool, e em terceiro cocaína. Vale salientar, que, segundo meu levantamento, 80 % dos residentes, independente da droga que motivou a internação ( a exceção dos somente alcoólicos ), já haviam experimentado outras drogas. 94 % dos usuários de crack, faziam uso do álcool simultaneamente,  bem como os usuários de cocaína, onde aliás, nota-se aqui, que não existiu, neste período, nenhum usuário internado exclusivamente pelo uso de maconha, mas todos, a exceção dos alcoólicos, faziam uso desta, regular ou esporadicamente. Entre os alcoólicos, só 3 %, já fizeram uso de outras drogas, onde também entre estes, a faixa etária, estava entre 50 e 70 anos. Cerca de 60 % dos residentes faziam na época uso do tabaco (cigarro). 

Mais 24Hrs de Paz e Serenidade, Autor - Emerson 

Recuperação: Adequada à mim, ou eu devo adequar-me à ela ?

Recuperação:  Adequada à mim, ou eu devo adequar-me à ela ?


Recuperação - http://www.mais24hrs.blogspot.com.br
Quando um indivíduo Adicto (ou Dependente Químico), entra para um programa de recuperação, ou busca uma internação em uma clínica ou comunidade terapêutica, muitos obstáculos pessoais internos, deverão ser superados, e um dos principais, é no que diz respeito a rendição ao programa.

 

O que significa rendição neste assunto ?

1º Passo: "Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, e que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis"

É finalmente admitir a derrota, aceitar que foi vencido, render-se, e não mais lutar. Na verdade, é um dos pontos cruciais, que pode aumentar as possibilidades de êxito na recuperação.
Em primeiro, devo dizer que o programa de Narcóticos Anônimos, e o de Alcoólicos Anônimos, que são parecidos entre si, é sugerido, ou seja, nada é imposto. Os 12 passos, são sugeridos. A palavra "deve ser assim", e não é implícita. Porque ? Na literatura, destas duas irmandades, estão, além dos 12 passos, uma extensa compilação acerca da interpretação destes, e outras narrativas, onde tudo isto, vem de anos de experiência de outros adictos e / ou alcoólicos. O que significa que, os caminhos onde há possibilidade grande, de a recuperação não dar certo, já foram trilhados por outros, bem como os caminhos que funcionaram. Deve-se salientar, que ninguém em absoluto, tem uma "bola de cristal", onde pode prever o futuro do outro, se este trilhar este ou aquele caminho, apenas pode, sugerir que, outros trilharam já o caminho A ou B, e quais as chances de dar errado ou certo.

Mas, quando falamos, de um programa de recuperação, a ser praticado diariamente, alguns pontos, são de certa forma, inegociáveis:

Grupos de Apoio ( N.A. - A.A. ) 

Os grupos de auto ajuda, ou irmandades, são os locais base para recuperação de dependentes de drogas/álcool. Em uma sala, o indivíduo encontra outros adictos, ou seja, seus pares, cria novas amizades, descobre novas maneiras de viver através da diversão sem o uso de substâncias, por exemplo, além é claro, das reuniões em si, onde acontecem as "partilhas" e temáticas sobre diversos assuntos ligados a recuperação. Escutar os outros, e falar. Quando a pessoa fala, coloca para fora suas angústias, dificuldades e alegrias. Falar pela simples necessidade de falar. O membro não é interrompido, nem lhe é indicado receitas mágicas, nem lhe é sugerido nada, sobre sua partilha, a não ser que peça, e mesmo assim, conversará com os outros membros, no intervalo da reunião. Escutar. Escutar a partilha de outros, e assim descobrir que não é o único com dificuldades, descobrir que o outro membro teve os mesmos problemas ou parecidos, e muitas vezes, escutar, por meio da partilha do outro, a possível solução para o seu próprio problema.

Espiritualidade 

( Procurar, uma Religião com a qual se identifique, e PARTICIPAR, praticando ali a espiritualidade ) - A Espiritualidade é fundamental, também. 2º Passo: "Viemos ACREDITAR , que um PODER MAIOR DO QUE NÓS, pudesse nos devolver a sanidade." - É o início de um contato com um poder superior, Deus. É sugerido a todos os membros, que tenham um poder superior, mas que este deve ser, da maneira como cada um concebe: Deus, Jeová, Buda, a Sala de NA/AA...Porém com o tempo, o indivíduo perceberá, que este Poder Superior, deve ser AMOROSO, E MISERICORDIOSO, E É CLARO, MAIOR QUE ELE MESMO. Só uma força como esta, pode devolver uma sanidade prejudicada e perdida as vezes, por anos de uso de drogas, onde muitos, não tinham mais fé em nada, nem em si mesmos, e se tinham a fé em um Deus, esta era irreal. ESPIRITUALIDADE, não deve ser confundido com RELIGIOSIDADE. Espiritualidade, pode ser feita no dia a dia, pela manhã, agradecendo a Deu pela vida, a noite, na rua, no trabalho, vejamos o 11º Passo: "Procuramos melhorar o nosso contato conciente com Deus, da maneira que nós O Compreendíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade com relação a nós, e o poder de realizar esta vontade." 
Este é um passo de amadurecimento, com o tempo, a atitude de falar com o Poder Superior, irá ficando automática e natural para o indivíduo, isto é, Espiritualidade. RELIGIOSIDADE, també é sugerida, e necessária. Porque ? O ser humano, se ficar isolado, tende a ficar doente. Quanto mais o DQ. Escolher uma Religião, frequentar, e praticar regularmente a ida a um Igreja, é parte de um programa de recuperação, é algo que complementa a Espiritualidade, fortalecendo a pessoa, e ampliando laços sociais, criando vínculos.

Auto-Análise 

( 10º Passo: "Continuamos fazendo o inventário moral de nós mesmos, e quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente") - Outro passo importante, e pode ser praticado escrita ou mentalmente. É sugerido que se faça de maneira escrita, principalmente no início da recuperação (há membros com décadas limpos, e que o fazem por escrito todos os dias !). Ao final do dia, rever os acontecimentos, realizando uma auto-análise: Magooei alguém ? Enganei ? Tive sentimentos para enganar ? Fui propositalmente indulgente ou preguiçoso ? Enfim, muitos atos, as vezes imperceptíveis, mas que, se deixar que aconteçam novamente, crescerão, se multiplicarão, e se tornarão a ser maiores. Pode ser a diferença, e evitar uma recaída. Os grandes erros, são "fáceis" de evitar. Os pequenos não, mas, quando reincide-se em pequenos erros, basta um passo para os grandes. "Não se tropeça no Trem, mas sim nos trilhos..."

Apoio Psicológico 

( Se necessário deve ser procurado ) - Muitas comorbidades, podem surgir e de fato surgem, conjuntamente ou separadamente da DQ. Depressão, ansiedade, transtorno bipolar e outros. Quando diagnosticadas ou percebidas, é fundamental a busca por um profissional. Este estará apto a ajudar, e inclusive indicar um médico para ministração de medicamentos de controle do humor e/ou do transtorno.

Medicamentos 

( Se necessários, não devem ser desprezados, mas somente sob prescrição médica ) - Há uma tendencia, neste país, Brasil, para a auto-medicação. Isto é de fato muito perigoso, para um DQ, muito mais. Psicotrópicos, calmantes, ansiolíticos, e toda a linha de remédios tidos como reguladores de humor (faixa vermelha-faixa / preta), devem ser unicamente tomados com receita médica e acompanhamento. Conheço muitos adictos, que estão limpos há anos, que falam a seguinte frase: " Se eu tomar um calmante que seja, sem a devida receita médica e supervisão, estarei simplesmente me drogando ! Será uma recaída ! " É um fato...Trata-se pois da DQ, uma doença sutíl, que pode encontrar na simples auto-medicação errada, uma porta para entrar novamente, e reiniciar a destruição.


E, EVITAR PESSOAS, HÁBITOS E LUGARES da "ativa", ou seja, do tempo em que faziam uso. É muito importante isto também. 

1-Veja que, o cérebro de um DQ, está acostumado a viver em um mundo de uso, ou seja, anos, ou sensações "prazerosas" vividas, que ficam gravadas, em uma especie de memória química. Quando o DQ, volta a um lugar, ou fala frequentemente com pessoas do tempo em que usava, seu cérebro imediatamente emitirá o sinal, lembranças voltarão, porque o cérebro, busca instintivamente pelo prazer, que um dia vivenciou. Ele "desconhece" a destruição, o cerebro busca essencialmente pelo prazer, é um instinto, na verdade é a busca do homem, desde os primordios. Caso a pessoa dá este tipo de "brecha", há uma grande possibilidade de voltar ao uso. Não no primeiro dia talvez, nem no segundo, mas é quase que inevitável. Conheço pessoas, que no início de sua caminhada na recuperação, nem com dinheiro andavam. Para voltar a frequentar um baile por exemplo, somente após 1 ou 2 anos, e acompanhados, ou "irmanados", com outros companheiros de grupo. Isto quando voltavam a frequentar o baile, pois muitos, descobrem uma nova maneira de viver, e realmente um baile, já não atrai mais tanto. Comprar cigarros, para os fumantes, comprar cigarros no supermercado ou pedir que outra pessoa compre, no início da caminhada, também é um outro "macete", e evitará com isto, entrar em bares e encontrar com "velhos amigos de copo". Lembrando que tabaco é droga também, porém sob a ótica da redução de danos, a dependência deste não está vinculada a alterações de humor. Afinal, ainda não soube, de ninguém que tenha matado o frentista do posto de combustíveis, para conseguir uma carteira de cigarros, ou que, após fumar um cigarro, teve sua percepção alterada provocando acidentes de trânsito. Então, um passo de cada vez...

Salienta-se que o que está acima é sugerido. Mas com certeza, é fruto da experiência de outros adictos / DQ, que trilharam o caminho.

Conclui-se que:

Na verdade, o indivíduo é que deve adaptar-se ao Programa de Recuperação, e não o contrário. Isto tem base na essência da doença ( Característica: Espiritual ), onde reina o egocentrismo, ou seja, tudo deve ser feito à nossa maneira (do adicto), e o mundo gira em torno de nós. Também, na velha e derrotada idéia, de que éramos capazes de "controlar" o uso da substância. E fazendo uma retrospectiva, veremos que, da nossa maneira, nunca funcionou, nós nunca pudemos, em nenhum tempo ter o "controle" do uso (adictos, somos portadores da doença), portanto, entra a "Aceitação" / "Rendição", por um programa, por passos sugeridos, por experiências novas:

Aceitar/Render-se, que eu e o próximo, temos limites,

Aceitar/Render-se, que não é adequado andar com "antigas companhias" (o que não quer dizer indiferença a antigos amigos, mas sim, infelizmente ou felizmente, se eu não uso mais drogas, estar ao lado de alguém que de uma hora pra outra fará uso e na minha frente, é expor-se ao risco da recaída, é concordar com o uso, e em última análise, é inconscientemente ainda ter desejo de usar),

Aceitar/Render-se, que não é conveniente nem adequado, frequentar principalmente no início de uma recuperação, lugares como bares, bailes e outros.

Estes exemplos, requerem certo sacrifício pessoal, o que no começo, é dolorido. A mudança, dói. Mas com o tempo, tudo isto, é substituído, por uma nova maneira de viver, e de enxergar o mundo ao redor. A mudança, é essencial. Mudar velhos hábitos, mudar de vida, mudar...sempre e para viver !

A Recuperação, é simples, como a vida. A doença é complexa. Tudo com o tempo, irá ficando mais natural, e a dor da mudança é substituída pelo prazer de uma nova vida.

O ser humano, é um ser extremamente adaptável ao meio, ou a novas situações, ainda que o processo possa gerar desconforto. Portanto, ADAPTAR-SE a um programa de recuperação, significa A DIFERENÇA ENTRE A VIDA, E A MORTE.


Mais 24 Hrs de Paz e SerenidadeAutor - Emerson

Dependência Química - Sintomas / Sinais

Dependência Química - Sintomas / Sinais

Toda a doença, em geral tem sintomas, ou sinais. Na verdade a DQ, não é ainda, identificável (existem estudos através do DNA) até ser manifestada, por alguns sinais, digamos assim.

Definições

O termo adicção, é usado em N.A. (Narcóticos Anônimos), e define, ser dependente de, ou escravo de. É um termo, que não deve ser levado, ao pé da letra, em minha opinião, visto que, o DQ (Dependente Químico) após estar "limpo", e em recuperação, não é mais pela lógica um escravo. Ou é ? Bem, não, e sim. Todos nós seres humanos, somos dependentes de algo, o que nos difere, é como lidamos com isso, e se isto afeta nossa vidas. Dependemos de água, de comida...Dependemos de amor, de carinho, de estar com outros iguais...Dependemos de um trabalho, respirar... Dependências óbvias, opcionais, ou necessárias...mas são, a priori, dependências. O termo adicto, generaliza, vários tipos de dependências, álcool, drogas ilegais, drogas medicamentosas, jogo, sexo, comida, dentre outros. Existem irmandades para NA (Neuróticos Anônimos), Dependentes de Tabaco, Jogadores Compulsivos, e outros.

O termo alcoólatra, ou alcoólico, é usado em A.A. Define mais exclusivamente o dependente de álcool.

O termo dependente químico, é usado de forma genérica, por vários segmentos, e mormente no meio médico especializado. Não define só, a dependência de drogas ilegais, ou álcool, mas também de drogas medicamentosas.  


Veja: Dependência Química - Definição
 

Nomes e definições, porque e para que ?

Importante é, quando nos identificamos com algo, isto pra todo o ser humano. Pessoas que gostam de música clássica por exemplo, dificilmente se "identificam", em uma roda de pagode. Não é ? Assim, adictos, alcoólicos, ou DQ's, quando reunidos em grupos de mútua ajuda, irão com certeza identificar-se, uns com os outros, criando vínculos, amizades. Também deve se salientar, que de acordo com o que a experiência nos mostra através dos anos, não é algo que deva  ser exposto a todos e a toda hora. Ou seja, no final, acabamos que por não pensar nisto, nestes termos, exceto quando vamos a reuniões, ou quando somos questionados, mas ainda aí, deve se ponderar, se a pergunta feita merece ou pode ser respondida ou não, afinal, é algo pessoal. Exemplo, em uma entrevista de emprego, caso o entrevistador, não pergunte, ou não toque no assunto, nada deve ser dito. Caso ele pergunte, aí sim pode ser respondido, com tranquilidade e honestidade, a honestidade é “imposta” por nossa espiritualidade, e a tranquilidade, pelo fato de estarmos em recuperação (limpos).

Ainda nisto pode-se ver que,nem todo adicto, usará drogas. Como ? Sim, muitos manifestam sua adicção de outra forma. Por exemplo, como citado acima, há pessoas dependentes do jogo. E é uma adicção que pode destruir tanto quanto as drogas ou o álcool, porém por outras formas. Mas aí então, o termo Dependente Químico, é talvez errado, ainda que a pessoa possa o ser. Caberia aí o adicto, que define de uma maneira mais generalizada. Em A.A. (Alcoólicos Anônimos) por exemplo, os membros desta irmandade, em sua maioria, definem-se como alcoólatras, ou alcoólicos, em recuperação.

Características da doença

Uma característica básica, da dependência por drogas ou álcool é a que, todos os dependentes químicos tem tolerância, às substancias psico-ativas, inclusive o álcool. Quem não tem tolerância não é dependente químico. Vamos a explicação lógica: Muitas pessoas, bebem um drinque, ou dois, nos fins de semana, um copo de vinho ao dia, ou duas cervejas no sábado. E fazem isto, por toda a vida. Como podem ? Bem, elas não tem tolerância ao álcool, não são DQ’s. O que é a tolerância ? É a medida da satisfação, ou seja, 1 ou 2 cervejas bastam, 3 ou 4 já deixam o indivíduo "tonto", causando a sensação de "alegria". Esta medida, vai se repetir, por toda a vida daqueles que não tem tolerância a bebida/drogas. Aqueles que tem a tolerância, ocorre o contrário: no início, é a mesma medida, 3 ou 4 cervejas, satisfazem. Com o tempo, para atingir o mesmo nível de satisfação inicial, este indivíduo irá tomar 5, ou 6. Depois 7, ou 8. Consequentemente, ao invés de 2 ou 3 doses, com o tempo, uma garrafa de destilado. Conjuntamente, a tolerância vem acompanhada da compulsão ( basicamente é a incapacidade de parar de usar ou beber enquanto: não terminar a substância ou a pessoa "apagar", a necessidade de "usar/beber" mais ). Esta, é a dependencia química, que daí por diante, revelará as demais características, as comportamentais, e emocionais. É uma doença biológica (tolerância) psicológica (compulsão), social (comportamentos) e espiritual (ausência de Deus, e egocentrismo).

O jogador compulsivo, ou adicto pelo jogo, não tem ou não se manifesta a tolerância, pela ausência da substancia em si, mas sim, a compulsividade, que também é parte da doença. O jogador, sente um prazer parecido com o das drogas, quando está jogando, e a mesma depressão e necessidade ou fissura, pelo jogo, quando não o tem. As demais características, sociais e espirituais, estão presentes.

Ainda, existem os usuários abusivos, ou seja, que não são portadores da dependência química, não possuem tolerância às substâncias de um modo geral, mas usam de forma abusiva por determinados períodos, causando grandes estragos em suas vidas pessoais, e possivelmente lhes trazendo consequências sérias, devido a ações praticadas pela perda da "consciência ou razão" quando sob efeito.

Sinais do uso de drogas

 
Partindo então para os sinais, estes agora são notados da seguinte forma, no dia a dia e com o passar do tempo:
 

Características advindas da doença: (biológica – psicológica – social - espiritual).
Drogas/Exemplos relacionadas (os) abaixo: (crack-cocaína-álcool-maconha).

Embriagues rotineira, incapacidade de parar de beber numa roda de amigos enquanto não ficar parcial ou completamente embriagado. Droga envolvida: Álcool. Características principais: Biológica - Necessidade da droga, tolerância. Psicológica - Compulsão, incapacidade de “parar”.

Apatia quanto ao que acontece ao redor. Droga envolvida: Todas. Características principais: Psicológica – Depressão. Espiritual – Ausência de Deus.

Faltas ao trabalho. Droga envolvida: Todas. Características principais: Biológica – Mal estar. Psicológica – Medo. Social – Irresponsabilidade, perda do senso de responsabilidade.

Venda de objetos.  Droga envolvida: Principais causadoras: Crack e Cocaína. Características principais: Biológica - Necessidade da droga. Psicológica – Compulsão, Necessidade de usar, incapacidade de raciocínio, desvios severos no caráter e razão advindos da DQ e suas consequências. Social – Falta de senso quanto a regras e leis.

Quando todos estão errados, "eu estou certo".  Droga envolvida: Todas. Características principais: Psicológica – Inabilidade de lidar com o "não", com os sentimentos e problemas cotidianos. Espiritual – Egocentrismo e Ausência de Deus.

Sono de mais.  Droga envolvida: Álcool e Maconha. Características principais: Biológica – Efeitos Toxicológicos

Tremores inexplicáveis Droga envolvida: Álcool. Características principais: Biológica – Efeitos Toxicológicos. (Ressaltando, que a dependência física ou biológica do álcool, é comparada por muitos à dependência por heroína)

Falta de apetite.  Droga envolvida: Álcool, Crack e Cocaína. Características principais: Biológica – Efeitos Toxicológicos, Crack e Cocaína são extremamentes inibidores do apetite. 


Aumento inexplicável do apetite Droga envolvida: Maconha. Característica: Sensação de "fome", ou vazio no estômago.

Lembrando, que estas, são apenas definições básicas. Não deve se concluir, apenas em uma primeira observação, ou somente com um destes sintomas, para não chegar a  conclusões precipitadas. Estas características, ou sintomas, podem estar relacionados com outros fatos, ou doenças. A observação por um maior período de tempo, e uma possível abordagem, poderá levar a uma conclusão mais acertada.


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