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Sentir-se parte de algo - o programa agirá...

Sentir-se parte de algo

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O isolamento, provocado pelo uso de drogas, e da doença (dependência química), levou-nos a "viver", em um mundo só nosso, distante, "zinza", vazio. Um mundo de medo, de dúvidas, e falta de ação. E isso, pode ter acontecido para muitos por anos, décadas. Após o primeiro passo, após parar com o uso, mesmo antes de verdadeiramente começar a viver em recuperação, a visão do mundo "real" que está a nossa volta, nos assusta de sobremaneira. As pessoas, parecem diferentes, os dias parecem diferentes. 

Olhamos para o futuro comum à maioria das pessoas: Trabalho, relacionamentos, metas, objetivos concretos, pagar contas, etc., e este futuro nos assusta, porque nunca, havíamos vivido, um só dia realmente nele, apenas e talvez breves momentos, mal percebidos porque estávamos ainda  entorpecidos, ou pela droga do dia anterior, ou por nossa própria doença.

Quando o processo de recuperação inicia-se, aliado à nossa boa vontade, e determinação pela prática do programa, a "coisa" começa a mudar de figura. Porém, a razão de muitos recaírem neste ponto, é a dolorosa dificuldade, ou visão, do próprio passado de dor e destruição, confrontados com o presente e o futuro. É extremamente doloroso, ver quanta dor causamos, quanto tempo "perdemos", quantas pessoas se afastaram de nós, etc. Neste momento, esta dor para muitos, é insuportável, e usar, mostra-se a "melhor" e mais "fácil" saída. Tudo o que gostaríamos, é não ter que olhar para isso tudo, e a droga, (esta é a ilusão), nos priva desta "realidade"...
Somente a força de vontade, e a determinação, aliados a ajuda de outros adictos, se possível da família também, pode criar a motivação extra, de que muitos as vezes necessitam.

Porque, a dor passará...tudo passará. Aprendemos a lidar com ela. Vivenciando o programa, esta dor será substituída pelo amor, pela fé. Não poderemos muitas vezes, trazer de volta, pessoas que se foram. Não teremos mais, os anos "perdidos", nem a juventude. Teremos que reiniciar, ou simplesmente começar, porque muitas coisas, sequer experenciamos, estabilidade em um emprego, independência financeira, casa, lar, uma vida.

O programa de recuperação, não nos promete nada: Não garante emprego, nem esposa...não promete casa, nem carro. Não diz que seremos ricos, nem que seremos pobres... (de bens). O programa nos garante uma coisa: Se procurarmos seguir as sugetões, os passos, com a ajuda de um Deus amoroso este programa nos garante que, nunca mais, só por hoje, precisaremos voltar a usar. E a partir daí, aos poucos, conquistamos uma qualidade de vida, com a qual nunca sequer sonhamos. Qualidade de vida...estar limpo.
O restante...virá aos poucos, ou virá rapidamente, de acordo com a vontade de Deus. Emprego, relacionamento, possível retorno de família, amigos...Deus, não nos deixa sozinhos, com uma "cruz"  maior do que nós mesmos...

Neste momento, é muito bom, e importante, "sentir-se parte de algo". Parte de uma irmandade, de um grupo de bons amigos, de uma família. Encontrar o "lugar", em meio a socidade, a comunidade, e sempre existirá, estando em recuperação, este lugar. Quando nos sentimos parte de algo, nos sentimos úteis, por vezes valorizados, nos sentimos amados.

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Desta forma sempre, sempre, existirão dois caminhos. Recuperamos (quando praticamos o programa) o nosso poder de escolha, que antes era somente um: usar. Hoje, podemos escolher, e sempre existem duas escolhas: Viver, ou morrer...
E a vida, sempre valerá a pena, com todas as dificuldades, frustrações, dor (a dor é inevitável, o sofrimento é opcional), mas também com as alegrias, as conquistas diárias, o amor das pessoas...A vida, sempre valerá a pena.

Mais 24 Hrs de Paz e Serenidade

O papel da família na internação - Entrevista com Dra. Yolanda Vaz Allan


O papel da família na internação - Entrevista com Dra. Yolanda Vaz Allan - http://www.mais24hrs.blogspot.com.br

Entrevista com Dra. Yolanda Vaz Allan



Qual o principal objetivo com a família durante a internação de um dependente químico?

O momento da internação de um dependente químico, quase sempre, traz não só à própria pessoa, mas, em especial à família, sentimentos de insegurança, medo e incerteza que geram muitos conflitos.Geralmente, este momento foi precedido por diversas tentativas com o intuito de evitar uma internação. Provavelmente, houve a intenção e a expectativa de acertar, mas, sem sucesso! Inicia-se então, intensa e cansativa busca de um tratamento adequado. Nesta fase a família já encontra-se, quase sempre, exaurida, desestruturada, sem esperanças, adoecida! Assim sendo, no período de internação do D.Q. deve-se ter como principal objetivo, a conscientização da família sobre a gravidade da doença da adicção, a dificuldade de vivenciar experiências tão destruidoras sozinhos, e, paralelamente, alertá-la sobre a importância da busca de estruturas adequadas, tais como: profissionais especializados, grupos de apoio (AA, NA, Amor Exigente) etc, que a oriente e contribua no sentido de habilitá-la para conviver adequadamente com este mal. Caso contrário, só se agravará o caos e a disfuncionalidade estabelecida nesta família.

O que eles podem e devem fazer para ajudar?

A família tem um papel extremamente importante na recuperação do dependente químico. Ela não só pode, mas deve ajudar seu ente querido na busca da libertação de tão grande mal. Entretanto, muitas vezes, o caos que se instala na família e a fragilidade emocional à qual acaba submetida, quase sempre a impede de exercer adequadamente seus papéis. A família pode ser a "escada de ascensão" no processo de recuperação e posterior manutenção na medida em que o ajuda a resgatar valores, princípios e auto-estima, mas, ao atuar como facilitadora e com atitudes inadequadas, poderá ser o "gatilho" disparador, que o levará à recaída de comportamentos, à irresponsabilidade e, certamente, ao uso de substâncias. A constatação dessa dura realidade, ou seja, o deixar-se vencer pela doença, o levará a sentimentos de menor-valia, desânimo, frustração e descrença na própria capacidade de recuperação.

O que não devem fazer?

Muitas podem ser as causas que dão origem ao desenvolvimento da doença da adicção. O meio sócio-cultural-ambiental, a herança genética, a educação transmitida, desde a mais tenra idade, com relação a valores e princípios, as disfuncionalidades familiares, entre outras, podem contribuir para este processo.Independente da causa, a familia não deve envergonhar-se , isolar-se, fazer julgamentos e condenações, apegar-se aos ressentimentos e muito menos "fazer de conta" que o problema não existe. Estes comportamentos só farão com que se afaste da realidade dos fatos, dificultando e retardando a busca adequada de soluções para enfrentar a doença. É de vital importância que a família não só entenda, mas que transmita a outros que a dependência química é uma grave doença e que apesar de ser incurável, progressiva e fatal, como muitas outras, quanto maior e mais rápida for a busca do conhecimento para um melhor tratamento e acompanhamento, maiores serão as chances de recuperação e da manutenção de uma boa qualidade de vida. Todos necessitam de cuidados! Neste caso, a família em especial precisa se fortalecer e se reequilibrar .

Como devem se preparar para a volta do dependente químico para a casa após a internação?

O dependente químico tem que ter na família sua rede de apoio. Que ela seja seu porto seguro, cuidadora no sentido de orientar e dar limites, sinalizadora dos comportamentos de recaída na medida em que o dependente químico deixa de cumprir tudo aquilo que é sugerido. É esperado neste momento do retorno definitivo à sociedade, tanto da parte do adicto, quanto da família, que surjam receios, dúvidas, inseguranças, desconfianças, ressentimentos, questionamentos. Estarão todos (familiares e adicto em recuperação) aptos e dispostos ao cumprimento da parte que lhes cabe, sobre os compromissos assumidos, no que diz respeito à manutenção da recuperação? Para tal, é necessário que a família tenha pleno conhecimento de como agir assertivamente com aquele que se encontra em processo de recuperação. Quando se fala em assertividade, entenda-se como ser solidário, estar disponível para ajudá-lo na busca ou manutenção da recuperação, porém nunca trazer para si (família), individual ou coletivamente, este fardo. Cabe ao dependente químico fazer a parte que lhe cabe, assumindo suas escolhas e responsabilizando-se pelos seus atos. Só assim estará em pleno processo de recuperação. Assim sendo, a atuação da família é sempre de vital importância no sentido de ajudá-lo a resignificar a vida, da maneira mais ampla possível, ou seja, mostrar-lhe que viver plenamente, de forma digna, saudável e prazeirosa, é totalmente possível!

Porque é importante o trabalho de grupo com as famílias?

O papel da família na internação - Entrevista com Dra. Yolanda Vaz Allan - http://www.mais24hrs.blogspot.com.brO local mais adequado para os familiares encontrarem acolhida, solidariedade e ampliarem seus conhecimentos sobre a doença da adicção é nos grupos de apoio que estão objetivamente focados nas questões da dependência química. Nestes grupos os familiares encontrarão outras pessoas com problemáticas muito semelhantes, buscando soluções e relatando suas experiências vividas. Naturalmente, se forma uma rede de apoio na qual através da troca de idéias e dos testemunhos dos participantes, muitas vezes, torna-se possivel entender a necessidade da realização de mudanças de comportamento da própria família e não só ficar na expectativa que apenas o outro, no caso o D.Q., precisa realizar mudanças em busca da recuperação. Não se pode ter a visão de que apenas ele é o doente e o único que necessita de tratamento, pois como já foi dito é natural que frente a tantas dificuldades, preocupações, tristezas e frustrações, todos os membros da família adoeçam.
Por isso, algumas vezes é necessário ir além da frequência e do apoio dos grupos, ou seja, que a família encontre outras alternativas como uma terapia individual ou familiar, com o objetivo de facilitar a compreensão e aceitação não só da doença, mas das mudanças quem se fazem necessárias em seus próprios comportamentos.

Yolanda Maria Vaz Allan é psicóloga clínica especalizada em dependência química e atua no Centro Terapêutico São Judas Tadeu, em Monte Alegre do Sul.

Fonte - AE - Amor Exigente (amorexigente.org.br)

Relatório sobre as estatísticas de usuários, traça perfil de dependentes químicos na europa


Relatório sobre as estatísticas de usuários, traça perfil de dependentes químicos na europa

Outubro-2012
 Relatório sobre as estatísticas de usuários, traça perfil de dependentes químicos na europa - http://www.mais24hrs.blogspot.com.br
Estima-se que, a cada ano, mais de 1 milhão de usuários de droga na União Europeia receberão algum tipo de tratamento para seus problemas de drogas. Isso reflete investimentos consideráveis ​​desde a década de 1990, quando um melhor acesso ao tratamento se tornou uma prioridade da política de drogas. Mas enquanto o tratamento desempenha um papel importante para ajudar os usuários finais de drogas ou, pelo menos, gerenciar seu uso de substâncias, há preocupações de que a sua inclusão definitiva na sociedade é muitas vezes negligenciada. Esta "lacuna" é dirigida hoje em estudo "Insights"  a partir de uma nova luta contra a droga da agência (OEDT): reintegração social e emprego: evidências e intervenções para usuários de drogas em tratamento.

"O número significativo de consumidores problemáticos de droga que acessaram os serviços de tratamento de toxicodependência europeus nos últimos anos reflete um passo importante para a integração", diz o relatório. Mas, acrescenta, "negligenciando as necessidades sociais dos pacientes pode minar os ganhos obtidos durante o tratamento", bem como as chances de "sucesso a longo prazo".

Últimos dados do OEDT sobre os pacientes que iniciam o tratamento de drogas revelam que mais da metade estão desempregados (56%). Baixo nível de escolaridade também é comum neste grupo vulnerável, com quatro de 10 tendo concluído apenas a educação primária ou abaixo deste nível. Enquanto isso, cerca de 10% dos pacientes de tratamento de drogas relatam que eles têm "alojamento não estável". Medidas que respondam às necessidades de habitação, educação profissional, de emprego de usuários de drogas são, portanto, cruciais para a superação da exclusão social.

O relatório de hoje revisa abordagens recentes nesta área para o problema e os usuários de drogas em recuperação, com um foco particular sobre o emprego ea empregabilidade. Ele mostra como a reintegração social pode beneficiar o usuário de drogas e da sociedade como um todo, apresenta evidências para a eficácia e descreve como promissor, que as intervenções poderiam inspirar os investimentos em pesquisa futuras. Complementando o estudo, um novo módulo dedicado ao tema é lançado hoje no portal prática Melhor OEDT, destacando os benefícios de intervenções baseadas na motivação e incentivo.

Estudo das "perspectivas" mostra que, enquanto a maioria dos países descrevem a existência de intervenções para promover a reintegração social - o termo é agora mencionado nas estratégias de drogas de 22 Estados Membros da UE - os dados indicam que os níveis de prestação aquém das necessidades da droga população de tratamento.

Incluídos no relatório estão um conjunto de "conclusões para a prática e política" concebido para ajudar os formuladores de políticas e profissionais de drogas no desenvolvimento de estratégias coerentes e inclusivo para promover a reintegração social. Estes incluem: ainda reconhecendo esta questão-chave nas políticas nacionais de medicamentos e de tomada de decisão sobre o financiamento e os dados sobre o tema ao monitorar a eficácia do tratamento medicamentoso. Eles também pedem o desenvolvimento de diretrizes baseadas em evidência, uma vez prova suficiente disponível no "o que funciona".

Até o momento, a maioria das pesquisas sobre o tema foi realizado fora da Europa, principalmente nos EUA. "Dado o papel crucial de reintegração social na limitação e superação relacionados com a droga problemas no longo prazo, uma melhor compreensão destas intervenções na Europa é muito necessária", afirma o relatório.

Diretor do OEDT, Wolfgang Götz, afirma: "O uso de drogas, muitas vezes agrava as condições de vida já difíceis de indivíduos excluídos, fazendo com que os esforços de integração um verdadeiro desafio para a pessoa em causa e para aqueles que fornecem suporte. Este aspecto é particularmente relevante durante o atual período de dificuldades econômicas na Europa, com altos níveis de desemprego entre os jovens cidadãos europeus.

Fonte - The European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction (EMCDDA)
Tradução por GT - Revisão Mais 24 Hrs

Nova droga sintética na mira da união européia

Nova droga sintética na mira da união européia

4-MA Nova droga sintética na mira da união européia - http://www.mais24hrs.blogspot.com.br
 A Europa respondeu hoje (07/03/2013) às preocupações com o uso da droga estimulante 4 metilanfetamina (4-MA), submetendo-a a "medidas de controle e sanções penais" em toda a União Europeia. A decisão do Conselho da UE, foi aprovado na fase final do processo de três etapas jurídico concebido para responder a uma ameaça potencial para novas drogas psicoativas que entram no mercado.
A decisão do Conselho baseia-se nas conclusões de um relatório de avaliação de risco formal em 4-MA produzido em 2012 pelo Comité Científico alargado da agência de luta contra a droga (OEDT), com a participação de outros especialistas de Estados Membros da UE, Comissão Europeia, Europol e da Agência Europeia de Medicamentos (EMA). O relatório, apresentado à Comissão e ao Conselho, em Novembro de 2012, avaliou os riscos de saúde e sociais da droga, bem como o tráfico internacional eo envolvimento do crime organizado.

4-MA pertence ao grupo das fenetilaminas sintéticos e está intimamente relacionado com a anfetamina. Não tem nenhum valor medicinal estabelecido e não tem nenhum propósito conhecido legítimo. Estas parecem estão sendo vendidas no mercado ilícito como a anfetamina, sendo freqüentemente misturada com ela. A informação disponível sugere que é produzida e distribuído pelos mesmos grupos de crime organizado envolvidos na produção e tráfico de anfetaminas.

O Conselho, afirma que  fornece evidências disponíveis e "motivos suficientes para submeter 4-metil-anfetamina a medidas de controle em toda a União". Razões para a conclusão incluem: forte semelhança da droga para anfetamina e os riscos de saúde que apresenta. O relatório de avaliação de risco detalhada indica 21 mortes em quatro Estados Membros (Bélgica, Dinamarca, Holanda, Reino Unido), onde 4-MA foi detectada em amostras post mortem, isoladamente ou em combinação com outras substâncias (particularmente anfetamina) . Os efeitos adversos de 4-MA incluem: hipertensão, hipertermia, anorexia, náuseas, paranóia e ansiedade.

Oito Estados-Membros (Dinamarca, Alemanha, Irlanda, França, Chipre, Lituânia, Holanda, Reino Unido) já controlam 4-MA sob a legislação de controle de drogas (quatro fazê-lo por meio de legislação genérica sobre fenetilaminas). Além disso, dois países (Hungria e Áustria) introduziram novos quadros legais para proibir o fornecimento não autorizado de indivíduo ou grupos de substâncias (4-MA é controlado sob a definição genérica de fenetilaminas). Um Estado-Membro (Finlândia) controla a droga no âmbito da legislação de medicamentos.

4-MA Nova droga sintética na mira da união européia - http://www.mais24hrs.blogspot.com.brDirector do OEDT, Wolfgang Götz, saudou a notícia: decisão "de hoje para introduzir controles em 4 metilanfetamina é outro exemplo positivo da capacidade da Europa para responder a novas substâncias psicoactivas e demonstra a força do sistema de alerta precoce da UE.

Como um número de países já controlam 4-MA, esta decisão vai ajudar a evitar problemas em transfronteiriça cooperação policial e judicial. Além disso, a escala da União medidas também irá ajudar a evitar alguns dos efeitos prejudiciais à saúde causados ​​pela droga. "
Os Estados-Membros da UE têm um ano para tomar as medidas necessárias para submeter 4-MA a controles de acordo com suas leis nacionais

Fonte - The European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction (EMCDDA)
Tradução por GT - Revisão Mais 24 Hrs

 

Condenação à morte

Condenação à morte

Condenação à morte - http://www.mais24hrs.blogspot.com.br
RIO DE JANEIRO - Tivemos de chegar à metástase do crack para que, de repente, o Brasil acordasse para o problema da droga. Mas antes tarde etc. Por outro lado, nos jornais e on-lines, pululam amadorismos bem-intencionados. Pessoas que só sabem de droga pelos manuais, por alguma breve experiência com maconha na juventude ou por passar de carro pelas proximidades de uma cracolândia pontificam a respeito. Ao cantar de um galo à distância, julgam ouvir a palavra "higienismo" e logo se põem contra a internação involuntária.

As famílias dos dependentes sabem melhor do que falam --sua experiência de ter em casa um escravo do crack ainda não foi, nem de longe, tratada pela literatura. E por que "em casa", perguntará você, se o dependente se muda para a cracolândia? Porque a casa é para onde ele sempre volta, para pegar ou tomar o que ainda possa ser vendido e lhe valer uma pedra --dos bens e joias da família a lustres, móveis, esquadrias.

Tais famílias não suportam ver seu filho ou neto receber "alta" e ser devolvido às ruas pelos que o internaram apenas um mês antes --para abrir novas vagas, denunciam elas, e maquiar as estatísticas de "atendimento". Se isso de fato estiver acontecendo, é lamentável --mas não basta para desqualificar todo o sistema de internação, que apenas começa a ser posto em prática.

Também não tem sentido o raciocínio de que, como historicamente o homem sempre se drogou, não adiantam os bilhões investidos na repressão, porque ele voltará a se drogar, não importa com o quê. Bem, o homem também sempre ficou doente. Significa que a medicina e a pesquisa científica devem fechar as portas pois, não importam os seus avanços, o homem voltará a ficar doente e morrerá?

Uma alta prematura é quase sinônimo de recaída. Mas o abandono na rua já é uma condenação à morte.
Ruy Castro

Ruy Castro, escritor e jornalista, já trabalhou nos jornais e nas revistas mais importantes do Rio e de São Paulo. Considerado um dos maiores biógrafos brasileiros, escreveu sobre Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda.
Fonte-Folha de São Paulo

Efeitos do uso da cocaína na gestação, e na criança no pós parto.

Efeitos do uso da cocaína na gestação, e na criança no pós parto

A extensão dos efeitos pela exposição à cocaína em uma criança, em processo de gestação, não é completamente conhecido, mas estudos científicos documentaram que bebês nascidos de mães que usam/abusam de cocaína durante a gravidez, tem grande probabilidade de nascerem prematuros, tem ao nascer peso e perímetro menores de cabeça (crânio), e são mais curtos em comprimento (menores em tamanho) do que bebês nascidos de mães que não fazem uso de cocaína.
No entanto, é difícil de estimar toda a extensão das conseqüências de abuso de drogas na gestação, para determinar o risco específico de uma determinada droga para o feto. Isto é porque múltiplos fatores tais como a quantidade e número de todas as drogas de abuso, incluindo nicotina; a extensão do pré-natal; a possível negligência ou abuso da mãe em expor-se a situações de risco das mais diversas; exposição à violência no ambiente; condições socio-econômicas; nutrição materna; outras condições de saúde; e exposição a doenças sexualmente transmissíveis, podem interagir com impacto na gestação do feto, e na criança após o parto.


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Mãe grávida na cracolândia - SP
Alguns podem lembrar que os "bebês do crack", ou bebês nascidos de mães que usaram crack durante a gravidez, foram tidos como situações irreversíveis. Prognosticados a sofrer grave, e irreversível dano, incluindo reduzida inteligência e habilidades sociais. Mais tarde descobriu ser esta situação, um grande exagero. No entanto, o fato que a maioria destas crianças parecem (e na maioria o são) normais, não deve ser mal interpretado para indicar que não há motivo para preocupação. Com a utilização de tecnologias sofisticadas, os cientistas estão agora descobrindo, que a exposição à cocaína durante o desenvolvimento do feto, pode levar a sutís, mas ainda significativos déficits em algumas crianças, incluindo déficits em alguns aspectos do desempenho cognitivo, processamento de informações, e atenção para tarefas habilidades que são importantes para a realização interior, de uma criança cheia potencial.
Fonte - Research Report Series - Cocaine:Abuse and Addicion - What Are the Effects of Maternal Cocaine Use? -NIDA - National Institute on Drug Abuse
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